Críticas de Filmes

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quinta-feira, 17 de março de 2016

Crítica: O Abraço da Serpente (2015) ***

Direção: Ciro Guerra
Elenco: Nilbio Torres, Antonio Bolivar, Jan Bijvoet, Brionne Davis.

Sinopse: Théo (Jan Bijvoet) é um explorador europeu que conta com a ajuda do xamã Karamakate (Nilbio Torres) para percorrer o rio Amazonas. Gravemente doente, ele busca uma lendária flor que pode curar sua enfermidade. Quarenta anos depois, a trilha de Théo é seguida por Evan (Brionne Davis), outro explorador que tenta convencer Karamakate a ajudá-lo.

Meu Comentário: Finalista na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar 2016, O Abraço da Serpente é o primeiro filme colombiano a conseguir tal proeza. Sinceramente me surpreendi com a escolha, já que o filme possui uma narrativa que “exige demais” de seu espectador, algo que os votantes da premiação normalmente evitam. O filme é resultado de uma belíssima proposta estética do diretor Ciro Guerra e do diretor de fotografia David Gallegos, que optaram em realizar o filme em preto e branco e ousaram com uma história transcendental.

O filme é baseado nos diários de dois exploradores decididos a desvendar os segredos de uma Amazônia ainda impenetrada. Além de seu visual deslumbrante, O Abraço da Serpente possui grandes interpretações, com destaque para os dois atores (não profissionais) que interpretam o xamã Karamakate. Variando sua narrativa entre presente e passado, seu roteiro transpõe tempo e espaço com uma essência histórica, profunda e antropológica da relação entre o homem branco e os índios, e consequentemente, do homem com a natureza. Abrangendo-se nas questões religiosa, espiritual e na transferência de conhecimento. Pesa contra o filme uma certa monotonia em seu desenvolvimento, causando um certo distanciamento do seu espectador. 

Chamo atenção para sua conclusão que evoca o clássico 2001- Uma Odisseia no Espaço (1968), e em relação as dificuldades naturais encontradas por seus personagens ao longo de seus tortuosos caminhos o filme remete-se ao engenhoso Fitzcarraldo (1982), de Werner Herzog. O Abraço da Serpente, entre erros e acertos, ainda assim merece sua atenção, pois é um dos mais significativos filmes da temporada 2015/2016.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Crítica: 99 Homes (2015) ***

Direção:  Ramin Bahrani
Elenco: Andrew Garfield, Michael Shannon e Laura Dern.

Sinopse: Dennis Nash (Andrew Garfield) perdeu a sua casa por conta da hipoteca e teve que se mudar para um pobre hotel com sua mãe (Laura Dern) e seu filho pequeno. Desesperado para reaver seu lar, ele aceita trabalhar com o imoral agente imobiliário Rick Carver (Michael Shannon), que foi a pessoa responsável pela sua perda. Logo, ele tem que ajudar Carver a expulsar outras pessoas e a desviar dinheiro do governo. Enquanto seus problemas financeiros desaparecem, a consciência de Nash passa a atormentá-lo.

Meu Comentário: “99 Homes” atraiu minha atenção após a indicação de Michael Shannon na categoria de melhor ator coadjuvante no Globo de Ouro 2016. Além dessa indicação, ele também foi lembrado pelo SAG na mesma categoria. E posso afirmar sem hesitar...é uma grande atuação que merecidamente deveria estar dis ser. Além disso, o filme “prende a atenção” do seu espectador com um roteiro que “aposta suas fichas” em uma condução que o aproxima muito mais de um Thriller do que de um “melancólico dramalhão”. As atuações agradam (até mesmo Andrew Garfiled), a história é muito bem desenvolvida e o filme consegue criar um clima de tensão permanente. Vi, gostei e recomendo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Crítica: O Novíssimo Testamento (2015) ***

Direção:  Jaco Van Dormael

Sinopse: Deus (Benoît Poelvoorde) está vivo, mora em Bruxelas e é um senhor rabugento e malvado com uma filha de 10 anos de idade. Cansada da natureza abusiva do pai, a menina invade o computador dele e envia para todos os habitantes do planeta as datas de suas respectivas mortes, ação que gera consequências inimagináveis.

Meu Comentário: O Novíssimo Testamento foi um dos finalistas da categoria de melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro 2016 e também concorreu ao Oscar na mesma categoria, mas acabou ficando de fora da lista final. Criativo, bem-humorado e repleto de humor negro, o filme tenta surpreender o seu espectador a todo instante, mas possui alguns “furos” em seu roteiro que acabam atrapalhando o desenvolvimento do filme. Ainda assim vale a pena ser visto! 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Trumbo: Lista Negra (2016) ****

Direção: Jay Roach
Elenco: Bryan Cranston, Michael Stuhlbarg, Diane Lane, Helen Mirren, John Goodman.

Sinopse: O roteirista Dalton Trumbo (Bryan Cranston) tem uma história singular em Hollywood: apesar de ter escrito alguns dos filmes de maior sucesso da época, como A Princesa e o Plebeu (1953), ele se recusou a cooperar com o Comitê de Atividades Antiamericanas do congresso e acabou preso e proibido de trabalhar. Mesmo quando saiu da prisão, Trumbo demorou anos para vencer o boicote do governo, sofrendo com uma série de problemas envolvendo familiares e amigos próximos.

Meu Comentário: Para quem não sabe, Dalton Trumbo foi um dos maiores roteiristas da história do cinema. Ele roteirizou “nada mais, nada menos” que os clássicos: Papillon (1973), Nosso Amor de Ontem (1973), Johnny Vai a Guerra (único filme que dirigiu), Sua Última Façanha (1962), Exodus (1960), Spartacus(1960), A Princesa e o Plebeu (1953), e vários outros filmes que são amados e elogiados por todo o mundo. Mas o grande detalhe é que Trumbo foi colocado na “Lista Negra” de Hollywood, e ao lado de vários roteiristas, diretores e atores, ficou impedido de trabalhar em razão de possuir ligação com o partido comunista. Chegando até mesmo a ser preso em razão de sua ideologia política. 

O filme acompanha justamente esse período da vida de Trumbo. Dando ênfase para o fato dele ser um brilhante roteirista, mas também de toda perseguição que não só ele, como os que eram contra a “perseguição ideológica” sofreram. Além disso, o filme expõe a utilização de “testas de ferro” na assinatura vários roteiros, pois essa era a única forma desses profissionais sobreviverem. E foi assim, no anonimato, que Trumbo venceu duas vezes o Oscar de melhor roteiro: A Princesa e o Plebeu (1953) e Arenas Sangrentas (1956).


O grande mérito do filme, e seu maior fascínio, é o fato de apresentar os bastidores de Hollywood durante um dos seus momentos mais nebulosos. Desfilando pela obra grandes personalidades da história do cinema: Edward G. Robinson, John Wayne, Sam Wood, Louis B. Mayer, Kirk Douglas, Otto Preminger e muitos outros.


Trumbo possui um afinadíssimo elenco, com destaque para a magnífica atuação de Bryan Cranston, que merecidamente foi indicado ao Oscar na categoria de melhor ator. E que apesar de uma direção burocrática de Jay Roach (Entrando numa Fria/ Um Jantar para Idiotas), esse é sem dúvida alguma o seu melhor trabalho. Uma grande história, muito bem desenvolvida e realmente hipnotizante. Para quem é cinéfilo, ou quer saber mais sobre os bastidores de Hollywood, é imperdível.


Crítica: Steve Jobs (2016) ***

Direção: Danny Boyle
Elenco: Michael Fassbender, Kate Wislet, Seth Rogen, Jeff Daniels.

Meu Comentário: Steve Jobs é mais uma obra  que tenta retratar o “homem “ por trás do gênio. O filme nos faz observar três importantes momentos da vida de Jobs: o lançamento do computador Macintosh, em 1984; da empresa NeXT, doze anos depois e do IPod, em 2001. E nos bastidores desses três momentos, podemos acompanhar um pouco do presente, passado e visão de futuro do personagem. Suas dificuldades familiares (com destaque para uma filha não assumida publicamente), sua péssima relação profissional com todos que o cercam, principalmente com seus primeiros sócios (Steve Wozniak e Mike Markkula), e também uma aparente dependência emocional em relação a Joanna Hoffman (Kate Wislet), executiva responsável pelo marketing da empresa, e que segundo o filme, teria uma estreita relação com Jobs.

O filme tenta expor os caminhos que “moldaram” o pensar e o agiar de Steve Jobs ao longo de sua vida. Sempre relacionando presente e passado. E trazendo importantes personagens de sua história para discutir sua trajetória, e assim, familiarizar o espectador com toda sua essência.


A direção de Danny Boyle é mais funcional do que genial, e o filme pode ser facilmente acusado de verborrágico. É uma obra que demonstra suas intenções muito mais nos ótimos diálogos do que nos atos. O roteiro é bem desenvolvido, consegue prender a atenção, mas pode aborrecer alguns espectadores mais exigentes. Steve Jobs não é um grande filme, na realidade, assim como o filme Jobs de 2013, ambos conseguem contar com eficiência a trajetória do personagem, mas mesmo com uma história tão rica, os filmes não conseguiram fugir da trivialidade. 

A atuação de Michael Fassbender pouco me impressionou, e lembro que ele foi indicado ao Oscar na categoria de melhor ator. E Kate Wislet, que inclusive venceu o Globo de Ouro como melhor atriz coadjuvante, e também está indicada ao Oscar na categoria, é a melhor atuação do filme, mas não me apresentou nada de impactante.  

Steve Jobs chama a atenção do seu espectador com o retrato de um dos mais importantes nomes das últimas décadas, e que ao seu redor, foram criadas “lendas” que simplesmente tornam o filme imperdível. Mas se for assistir vá sem muita “sede ao pote”, pois provavelmente você irá se decepcionar, pois o filme é melhor tecnicamente (desenvolvimento/ direção/ diálogos) do que emocionalmente. E nem mesmo quando tenta ser sensível (nas cenas envolvendo Jobs e sua filha), ele deixa de ser frio e distante de seu espectador.




quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Crítica: Creed- Nascido para Lutar (2015) ***

Direção: Ryan Coogler
Elenco: Christian Bale, Steve Carell, Ryan Gosling, Brad Pitt, Marisa Tomei.

Sinopse: Adonis Johnson (Michael B. Jordan) nunca conheceu o pai, Apollo Creed, que faleceu antes de seu nascimento. Ainda assim, a luta está em seu sangue e ele decide entrar no mundo das competições profissionais de boxe. Após muito insistir, Adonis consegue convencer Rocky Balboa (Sylvester Stallone) a ser seu treinador.

Meu Comentário: Spin-off de Rocky, Creed- Nascido para Lutar consegue contar uma história que é independente da consagrada franquia, ao mesmo tempo que totalmente dependente em vários aspectos: na forma de desenvolver o roteiro, do astro Sylvester Stallone, da cidade da Filadélfia, e até mesmo da trilha sonora do original.

Após Stallone vencer o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante, imediatamente achei que era apenas um prêmio de consolação por sua consagrada (e irregular) carreira. E essa sensação perdurou até o meio do filme, quando realmente o ator apresenta uma interessante atuação, e que torna merecido seu Globo de Ouro, assim como, uma possível indicação ao Oscar na categoria de melhor ator coadjuvante.


A história é pouco elaborada, o desenvolvimento idem, e nada diferente de tudo que já vimos em obras do gênero. Um dos méritos do filme são as cenas de luta, inclusive uma que é praticamente filmada em plano-sequência. E claro, a boa atuação de Michael B. Jordan – que foi revelado no filme independente Fruitvale Station (2013), obra que também revelou o diretor Ryan Coogler. 

Não espere nada de magnifico de Creed – Nascido para Lutar, nem mesmo a atuação de Stallone. É um bom filme, como inúmeros do gênero, e que vale muito mais pela nostalgia da franquia Rocky, do que por sua concepção.





Crítica: A Grande Aposta (2015) ****

Direção: Adam McKay
Elenco: Christian Bale, Steve Carell, Ryan Gosling, Brad Pitt, Marisa Tomei.

Sinopse: Michael Burry (Christian Bale) é o dono de uma empresa de médio porte, que decide investir muito dinheiro do fundo que coordena ao apostar que o sistema imobiliário nos Estados Unidos irá quebrar em breve. Tal decisão gera complicações junto aos investidores, já que nunca antes alguém havia apostado contra o sistema e levado vantagem. Ao saber destes investimentos, o corretor Jared Vennett (Ryan Gosling) percebe a oportunidade e passa a oferecê-la a seus clientes. Um deles é Mark Baum (Steve Carell), o dono de uma corretora que enfrenta problemas pessoais desde que seu irmão se suicidou. Paralelamente, dois iniciantes na Bolsa de Valores percebem que podem ganhar muito dinheiro ao apostar na crise imobiliária e, para tanto, pedem ajuda a um guru de Wall Street, Ben Rickert (Brad Pitt), que vive recluso.

Meu Comentário: Grande parte do brilhantismo do filme provém de dois elementos: a ampla criatividade do diretor Adam McKay em contar uma história e também do ótimo elenco.

Adam Mckay sempre me chamou atenção, principalmente por suas interessantes comédias: Os Outros Caras (2010), o ótimo Quase Irmãos (2008) e o espetacular Ricky Bobby-A Toda Velocidade. São grandes filmes do gênero e repletos de pontuais (e não isolados) momentos de genialidade cômica. Sinceramente eu gosto muito da forma na qual o diretor conta suas histórias. Satírico, inteligente e repleto de humor negro. 

Apesar de ser classificado como comédia, A Grande Aposta é uma competente visão de dentro de Wall Street a respeito do colapso bancário que assolou os Estados Unidos e derrubou economias pelo mundo. 

O filme possui uma montagem eletrizante, uma direção irretocável, e além disso, para facilitar ao espectador o emaranhado de termos técnicos referentes a Bolsa de Valores e termos de investimentos, o filme se utiliza de criativas formas de explicação, entre elas, a utilização de uma loira estonteante em uma banheira repleta de espumas, simplificando ao máximo as explicações para grande parte de nós, leigos no assunto.


As vezes confuso, burocrático no segundo ato, brilhante em vários momentos, o filme é uma montanha russa de informações. E que em alguns momentos deixa seu espectador “lá em cima” e totalmente conectado com a obra, e por vezes, sentindo que o filme está monótono ou excessivamente verborrágico. 

A grande Aposta é um dos melhores filmes de 2015, tanto que foi lembrado no Globo de Ouro e possivelmente também será indicado ao Oscar. Categorias? Talvez melhor filme, talvez melhor ator (Bale e Carrell, mas sem chances de vencer), montagem e roteiro, obrigatórios.


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Crítica: Pegando Fogo (2015) ***

Direção: John Wells
Elenco: Bradley Cooper, Sienna Miller, Daniel Bruhl, Omar Sy, Emma Thompson, Uma Thurman, Alicia Vikander.

Sinopse: O chefe de cozinha Adam Jones (Bradley Cooper) já foi um dos mais respeitados em Paris, mas o envolvimento com álcool e drogas fez com que sua carreira fosse ladeira abaixo. Após um período de isolamento em Nova Orleans, ele parte para Londres disposto a recomeçar a carreira e conquistar a sonhada terceira estrela no badalado guia Michelin de restaurantes. Para tanto ele conta com a ajuda de Tony (Daniel Brühl), que gerencia um restaurante na capital britânica, e recruta uma equipe de velhos conhecidos.

Meu Comentário: Pegando Fogo é um dos mais subestimados filmes de 2015. A atuação de Bradley Cooper é excelente, assim como o filme é um dos melhores do gênero. Lembro que o filme é dirigido por John Wells, que anteriormente já havia realizado dois filmes, igualmente bons e subestimados: A grande Virada (2010), que realmente eu gosto muito e Álbum de Família (2013), que chegou a render duas indicações ao Oscar na categoria de atriz coadjuvante (Meryl Streep e Julia Roberts).


Com todos esses predicados, fica fácil perceber que o diretor consegue “tirar” grandes atuações de seu elenco, e dessa vez, o grande destaque é Cooper, com um personagem arrogante, inquieto e repleto de anseios. Também estão presentes no filme todos os clichês e caricaturas do gênero: a figura do chef, do arquirrival, o romance, a conselheira e a busca por reconhecimento. Tudo isso faz parte do universo da obra, assim como, as reviravoltas, algumas realmente surpreendentes.
O filme é muito bem desenvolvido, hipnótico, seu roteiro rico e interessante, resumindo, um dos mais interessantes filmes de 2015. Gostei muito e recomendo. 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Crítica: Spotlight – Segredos Revelados (2015) ***

Direção: Tom McCarthy
Elenco: Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Liev Schreiber, John Slattery, Stanley Tucci.

Sinopse: Baseado em uma história real, o drama mostra um grupo de jornalistas em Boston que reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos de abuso de crianças, causados por padres católicos. Durante anos, líderes religiosos ocultaram o caso transferindo os padres de região, ao invés de puni-los pelo caso.

Meu Comentário: Spotlight é um poderoso filme de investigação jornalística, e que remete ao maior clássico do gênero, o filme Todos os Homens do Presidente (1976), que retratava as investigações dos hoje renomados Carl Bernstein e Bob Woodward, que culminou no caso Watergate. 

Baseado na notória história real de um grupo de jornalista do Boston Globe. A história gira em torno de suas investigações e das inúmeras denuncias contra a Igreja Católica em relação aos abusos cometidos por padres, além do fato de haver um acobertamento tanto por parte da igreja como pela sociedade. Que no caso de Boston, “ignorava” as denuncias em prol de um bem maior: os pontos positivos de uma interação social entre igreja e cidade.

Essa imponente presença da igreja católica na região de Boston é muito bem exemplificada com os constantes enquadramentos onde personagens e igreja estão na mesmo imagem. Alias, é bom referenciar que a cidade de Boston (capital de Massachusetts), possui uma das maiores comunidades católicas dos Estados Unidos.

O filme consegue envolver o seu espectador com o trabalho investigativo dos jornalistas, assim como, pelas sutis tentativas de influentes personalidades da cidade em “frear” os avanços das investigações. Além disso, ressalto o ótimo trabalho do elenco. E que apesar de não sobressair nenhuma grande atuação, Michael Keaton, Mark Ruffalo e John Slattery se destacam. São atuações sem grande alarde, mas intensas.

A direção de Tom McCarthy é correta, e se analisarmos sua irregular carreira, posso afirmar tranquilamente que esse é o seu melhor trabalho. Não é brilhante, mas sua condução é precisa. 


Também aprecio as mudanças que o roteiro apresenta. Aliás, um ótimo roteiro. No princípio os jornalistas questionam a igreja, depois a comunidade de Boston e por fim, se questionam. Por que não fizemos nada antes? Demonstrando a fragilidade do assunto em uma comunidade amplamente católica.

Spotlight – Segredos Revelados é um dos grandes favoritos ao Oscar 2016, e teve três importantes indicações ao Globo de Ouro: Melhor filme de Drama, melhor diretor e melhor roteiro. Assim como, foi premiado (ou indicado), nas mais importantes premiações da temporada. Sem dúvida alguma o filme é dono de uma história impressionante e que merece ser descoberta.


Crítica Completa no meu canal de cinema


Crítica: Carol (2015) ***

Direção: Todd Haynes
Elenco: Cate Blanchett, Rooney Mara, Sarah Paulson, Kyle Chandler.

Sinopse: A jovem Therese Belivet (Rooney Mara) tem um emprego entediante na seção de brinquedos de uma loja de departamentos. Um dia, ela conhece a elegante Carol Aird (Cate Blanchett), uma cliente que busca um presente de Natal para a sua filha. Carol, que está se divorciando de Harge (Kyle Chandler), também não está contente com a sua vida. As duas se aproximam cada vez mais e, quando Harge a impede de passar o Natal com a filha, Carol convida Therese a fazer uma viagem pelos Estados Unidos.

Meu Comentário: Carol é um dos mais premiados e elogiados filmes de 2015. Fato que até o torna um dos favoritos ao Oscar 2016, mas sinceramente, tirando as atuações de Cate Blanchett e Rooney Mara, o filme é extremamente convencional. Claro, recoberto com o charme de uma ótima produção (ambientação) e a competente (mas não brilhante) direção de Todd Haynes. Mas basicamente é isso. Um filme frio e sutil.  

O mais interessante no filme é a construção dos seus dois principais personagens: a jovem Therese Belivet (Rooney Mara) e Carol (Blanchett). Carol que desde sua primeira aparição já se impõe. É elegante, sabe o que quer, e está disposta a enfrentar qualquer um pelo que acredita. Já Therese é jovem e repleta de dúvidas. E o filme é basicamente isso. Discreto, repleto de cenas filmadas por de trás de vidros (vitrines, carros), para passar a sensação da nebulosidade que envolve os seus personagens.

Narrado de forma delicada, por vezes monótona, o filme se centra nas atuações de Blanchett e Mara, inegavelmente, o melhor do filme. E apesar das boas atuações, lembradas nas mais importantes premiações do mundo, inclusive em Cannes, onde Mara venceu o prêmio de melhor atriz, acho sinceramente que são grandes atuações. Mas não notáveis, e onde ainda prefiro a maturidade de Cate Blanchett.

Se a história não fosse assegurada por um romance homossexual, que passa em 1950, envolto na moralidade social, estaria falando de apenas mais um bom filme. Mas como a base da obra é o romance de Therese e Carol, meio a uma conturbada separação e toda a pressão social sobre sua conduta moral, o filme ganha novos contornos.


No seu terceiro ato, o filme melhora consideravelmente, graças a inserção de elementos externos: a chantagem sobre Carol. Mas sem entrar em detalhes, posso afirmar que fiquei muito satisfeito com a resolução final do filme. 

Carol foi indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor filme de Drama, melhor atriz (Blanchett e Mara), Melhor diretor e Trilha Sonora.


CRÍTICA COMPLETA NO MEU CANAL DE CINEMA




Crítica: 45 Anos (2015) ***

Direção: Andrew Haigh
Elenco: Charlotte Rampling, Tom Courtenay.

Sinopse: Kate Mercer (Charlotte Rampling) está planejando a festa de comemoração dos 45 anos de casada. Porém, cinco dias antes do evento, o marido recebe uma carta: o corpo de seu primeiro amor foi encontrado congelado no meio dos Alpes Suíços. A estrutura emocional deles é seriamente abalada e Kate já não sabe se vai ter o que comemorar durante a festa.

Meu Comentário: Apesar de Charlotte Rampling ser uma das melhores atrizes de sua geração, somente agora, aos 69 anos, ela pode receber sua primeira indicação ao Oscar de melhor atriz. Sem dúvida alguma, um grande absurdo. Só para você ter noção, a atriz já foi indicada 5 vezes em sua categoria no European Film Awards, que premia os melhores filmes realizados no continente europeu.  Aliás, Rampling e Courtenay estão sendo muito elogiados por sua atuação em 45 Anos, merecidamente. 

45 anos é a versão 2015 do premiado Amor (2012), que foi dirigido por Haneke e brilhantemente protagonizado por um casal de atores idosos (Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant). Resultado, Oscar de melhor filme estrangeiro e indicações de melhor filme e atriz. E apesar das histórias serem bem diferentes, a essência é a mesma. Um Tour de Force protagonizado por Rampling e Courtenay, que durante 90 minutos, tem a oportunidade de apresentar grandes atuações, ainda amplificadas por excessivos closes e uma obra que se apega mais as atuações que a própria história.

Para ser justo, tenho que exaltar a forma que a história é desenvolvida. Apesar de sua curta duração, o filme trabalha muito bem os impactos emocionais que o casal sofre com a chegada da notícia da descoberta do corpo do primeiro amor de Geoff (Courtnay), que simplesmente desapareceu em uma geleira na Suíça enquanto ainda namoravam. É claro, uma grande tragédia. Que ao longo do filme, verificamos que impactou toda a relação, e só agora, após o choque do acontecimento, que Rampling percebe a presença desse fantasma durante os 45 anos de seu relacionamento. 

A principio o grande abalo é em relação a Geoff, mas depois de um tempo, é Kate a maior assombrada pelo passado do marido. E nos detalhes, na sutileza da história, ela vai percebendo o impacto que aquele antigo amor tem sobre seu marido e sua vida. 


O filme apresenta enquadramentos deslumbrantes e atuações corajosas. Uma das cenas mais importantes do filme é quando o casal sexagenário em um momento de reconciliação resolve fazer amor. Durante o ato, ela pede ao marido que abra os olhos, e imediatamente ele não consegue manter a ereção. Uma clara demostração de que ele estava com sua esposa na cama, mas com o passado na cabeça.

45 anos é um grande filme. Um grande filme repleto de pequenos gestos, uma história sutil e poderosa. Alias, muito bem desenvolvida pela direção de Andrew Haigh, e onde brilham os dois experientes atores. Posso afirmar que está não é a melhor atuação da carreira de Rampling, mas sim, mais uma grande atuação de sua carreira. E antes que me esqueça, a cena final é primorosa. 45 anos é um dos mais memoráveis filmes de 2015.

Crítica: As Sufragistas (2015) ***

Direção: Sarah Gavron
Elenco: Carey Mulligan, Anne-Marie Duff, Helena Bonham Carter, Brendan Gleeson, Meryl Streep e Ben Whishaw.

Sinopse: No início do século XX, após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Um grupo militante decide coordenar atos de insubordinação, quebrando vidraças e explodindo caixas de correio, para chamar a atenção dos políticos locais à causa. Maud Watts (Carey Mulligan), sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas. Ela enfrenta grande pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina, mas decide que o combate pela igualdade de direitos merece alguns sacrifícios.

Meu Comentário: As Sufragistas é uma típica produção inglesa: ótima ambientação, um pouco fria e repleta de grandes atuações. Apontado no período pré-Oscar como uma das principais produções de 2015, o filme não confirmou seu favoritismo, sendo esquecido nas principais premiações do ano. 

O filme se passa em Londres, precisamente em 1912, e narra a luta de um grupo de mulheres pelo direito ao voto, assim como, por melhores condições sociais. Mas que segundo os políticos da época, já eram representadas por seus pais, maridos e irmãos.

Em razão disso, e comandadas por Emmeline Pankhurst (Streep), elas decidem iniciar uma rebelião voltada para a desobediência civil, e assim, o grupo passou a ser conhecido como as sufragistas, e severamente combatido pela polícia londrina. E onde agressões físicas e psicológicas, eram frequentemente praticadas contra elas.


Resumidamente, As Sufragistas é um filme politico. E onde sua história é muito bem contada, com destaque para a poderosa atuação de Carey Mulligan. E também Anne-Marie Duff e Helena Bonhan Carter, que brilham em personagens coadjuvantes. Apesar de sua condução burocrática (repleta de enquadramentos fechados), honestamente fui cativado pelas dramáticas histórias dessas mulheres, que notoriamente, foram o passo inicial para uma mudança histórica. Definitivamente “As Sufragistas” é um bom filme e repleto de todos os méritos para ser visto: comovente, forte e histórico.

Crítica: Boa Noite, Mamãe (2015) ***

Direção: Severin Fiala, Veronika Franz
Elenco: Susanne Wuest, Lukas Schwarz, Elias Schwarz.

Sinopse: Uma família vive em uma residência isolada em meio a árvores e plantações de milho. Após dias afastada, por conta de cirurgias plásticas, a mãe (Susanne Wuest) volta para casa e não é reconhecida pelos filhos gêmeos. As crianças, de nove anos, duvidam que a mulher de rosto coberto seja realmente sua mãe e a partir de então nada será como antes.

Meu Comentário: Boa Noite, Mamãe é um dos mais inquietantes filmes que já assisti. Posso afirmar que foi um dos filmes que mais me causou incomodo. Ele é capaz de realizar uma poderosa tortura psicológica, não só em seus personagens, como também em seus espectadores.

A construção do clima de suspense em torno da mãe e seus dois filhos é perfeita, assim como a atuação do trio de protagonistas. O filme consegue te envolver em um clima de mistério, dúvidas e uma tensão sempre presente. E que devido a ótima condução dos diretores, o filme “fisga” seu espectador até seu terceiro ato. Onde todo aquele clima de tensão e mistério é deixado de lado, para entrar uma das mais revoltantes e impactantes cenas de tortura que já presenciei em uma obra cinematográfica. Repito, o filme me causou uma das piores sensações que já vivi em uma sala de cinema. Foi uma verdadeira tortura psicológica. Com isso, levanto o seguinte questionamento? O maior deslumbre de um realizador é fazer com que sua obra atinja o seu espectador. E não há dúvidas de que o filme me envolveu e me causou incômodos. Sendo assim, houve uma forte interação entre eu e o filme. E digo mais, reconheço todo o impacto do filme e suas qualidades. Mas será que esse é o objetivo principal de uma obra. Deixar seu espectador tão incomodado a ponto de pensar em abandonar o filme? Sinceramente, só vai “admirar” “Boa noite, Mamãe”, quem literalmente é um sadomasoquista. 


Boa Noite, Mamãe é uma obra que verdadeiramente merece ser vista. Além disso, o filme foi indicado em várias premiações pelo mundo, inclusive no importantíssimo European Film Awards, que premia os melhores filmes realizados no velho continente. E foi o selecionado pela Áustria para a corrida do Oscar 2016. Não há dúvidas a respeito de sua qualidade, mas tenho sérias dúvidas a respeito de suas intenções.

Crítica: Sentimentos que Curam (2015) **1/2

Direção: Maya Forbes
Elenco: Mark Ruffalo, Zoe Saldana, Imogele Wolodarsky.

Sinopse: Boston, Estados Unidos. O fato de Cameron (Mark Ruffalo) ser maníaco-depressivo não impediu que Maggie (Zoe Saldana) se envolvesse com ele. O casal teve duas filhas, mas os constantes colapsos nervosos de Cameron fizeram com que eles deixassem de morar juntos, por mais que mantivessem contato constante. Em 1978, devido às dificuldades financeiras, Maggie resolve fazer um curso de especialização em Nova York, com duração de 18 meses. A saída para que o plano dê certo é que Cameron deixe o hospital psiquiátrico em que vive para voltar a morar em casa, cuidando das garotas, com Maggie visitando o trio aos finais de semana. Trata-se de um grande desafio para Cameron, que precisa assumir de vez as responsabilidades de pai e aprender a controlar a própria doença.

Meu Comentário: Inegavelmente “Sentimentos que Curam” é uma obra modesta e tipicamente familiar. Tocante e básico. E onde o grande destaque é a atuação de Mark Ruffalo, no papel de um “grande pai”, que também é um maníaco-depressivo. E que por esse personagem, chegou a ser indicado ao Globo de Ouro 2016 na categoria de melhor ator.

Apesar de não ser baseado em fatos reais, bem que poderia. Pois sua história é palpável e bem desenvolvida. É uma historinha bonitinha, com ênfase nos conflitos familiares e na superação de seus personagens para o bem familiar e personagens cativantes. Mas que em alguns momentos, esses personagens chegam a ser irritantes: pela falta de pulso de Cameron (Mark Ruffalo) com suas filhas e esposa; pela falta de presença de Maggie (Saldana) no ambiente familiar em prol de um “melhor” para as filhas; e as duas meninas, que devido a uma ausência maternal, são incontroláveis.

Sentimentos que Curam entretém seu espectador com uma boa história, sem firulas e sem mágica, mas repleto de sentimentalismo. Um bom sentimentalismo. 


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Crítica: Os Oito Odiados (2015) ****

Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Samuel L.Jackson, Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh, Walter Goggins, Demian Bichir, Tim Roth, Michael Madsen, Bruce Dern, James Parks, Channing Tatum.

Sinopse: Durante uma nevasca, o carrasco John Ruth (Kurt Russell) está transportando uma prisioneira, a famosa Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh). No caminho, os viajantes aceitam transportar o caçador de recompensas Marquis Warren (Samuel L. Jackson) e o xerife Chris Mannix (Walton Goggins), prestes a ser empossado em sua cidade. Como as condições climáticas pioram, eles buscam abrigo no Armazém da Minnie, onde quatro outros desconhecidos estão abrigados. Aos poucos, os oito viajantes no local começam a descobrir os segredos sangrentos uns dos outros, levando a um inevitável confronto entre eles.

Meu Comentário:  Os Oito Odiados é mais um êxito na carreira de Quentin Tarantino. 
Não está no nível dos seus três melhores filmes (Django Livre, Pulp Fiction e Bastardos Inglórios), mas sem dúvida alguma, é um grande filme. Um típico filme do diretor. E onde a Mise-en-Scène é brilhante.


Com aproximadamente três horas de duração, e dividido em capítulos (seis no total), o filme agrada aos fãs do diretor ou de quem verdadeiramente aprecia o melhor do cinema. A introdução é longa, assim como o seu desenvolvimento, mas quando o filme chega a sua conclusão, ninguém consegue tirar os olhos da tela. Mas por ser verborrágico, longo, e possuir algumas cenas de extrema violência (e sanguinolência), o filme afugenta alguns espectadores. Em minha sessão por exemplo, foram vários os espectadores que abandonaram a sessão. Provavelmente por dois motivos: estomago fraco ou cérebro vazio.


O filme apresenta o melhor do diretor: personagens interessantes, ótimos diálogos, humor, muito sangue e interessantes reviravoltas. É um grande filme. E onde as atuações são fantásticas, e com exceção da “apática” atuação de Michael Madsen, e a tentativa de Tim Roth imitar Christoph Waltz (sem sucesso), todos estão maravilhosamente bem. Destaco a magnifica atuação de Jennifer Jason Leigh, que literalmente, “come o pão que o diabo amassou” durante a obra. E muito me impressionou, em tempos de combate a violência contra a mulher e ao empoderamento feminino, as excessivas e marcantes cenas de violência que a personagem de Leigh sofre. Também não posso deixar de elogiar as espetaculares atuações de Samuel L.Jackson e Kurt Russell. 

O fato do filme se passar basicamente em duas locações (Diligência e no Armazém da Minnie), só deixa as coisas mais interessantes. E onde o espectador é colocado em um clima de tensão sempre presente, e onde fica evidente, que logo, logo, os conflitos vão começar. E quando começam, te garanto, não param mais.

É impressionante como Tarantino agrega em seus roteiros elementos tão irrelevantes e ao mesmo tempo, tão relevantes para a história. A carta de Lincoln, o cozido de carne, o café. Tudo que parece ser apenas parte do contexto, lá na frente, se torna primordial dentro da história.

É notável também, a capacidade criativa do diretor, que novamente, surpreende com uma obra muito bem realizada, conduzida e montada. Sem falar na interessante trilha sonora do mestre Ennio Morricone.


Os Oito Odiados teve três indicações ao Globo de Ouro (atriz Coadjuvante, roteiro e trilha sonora), e sinceramente, acho que seria muito merecido se fosse lembrado no Oscar nas mesmas categorias. Para quem é fã do diretor, o filme é um deleite. E para quem não está acostumado, só lamento, pois vai perder a oportunidade de apreciar um grande filme.



Crítica do Filme no meu canal do Youtube:

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Crítica: Mistress America (2015) ***

Direção: Noah Baumbach
Elenco: Greta Gerwig, Lola Kirk, Matthew Shear, Heather Lind.

Sinopse: Tracy (Lola Kirke) é uma caloura de faculdade que leva uma vida solitária em Nova York. Seu grande sonho é entrar para um seletivo clube de escritores existente na universidade, mas ela não foi aprovada. Após muita insistência da mãe, ela resolve ligar para Brooke (Greta Gerwig), a filha de seu futuro padrasto, que também mora em Nova York. Logo as duas entram em perfeita sintonia. Tracy fica fascinada com a energia e o alto astral de Brooke e resolve usá-la como inspiração em um novo conto. 

Meu Comentário: Que filma agradável. Sinceramente, a cada filme de Noah Baumbach que descubro, me torno mais fã do diretor. Admiro muito a sua capacidade de contar uma história. Sua mise-em-Scène. É o típico caso de um diretor autoral e dono de estilo próprio. Assim como é Woody Allen e Wes Anderson. Baumbach é um grande mentor de personagens, que filme após filme, parecem conviver uma mesma realidade. E eu gosto disso. Não há um filme do diretor que eu tenha visto que simplesmente, não tenha me envolvido. É uma sensação mágica que poucos diretores autorais têm me proporcionado ultimamente.

Vale lembrar que Baumbach é o responsável pelos ótimos: A Lula e a Baleia (2005), Frances Ha (2012) e Enquanto Somos Jovens (2014). Filmes que são donos de um ritmo próprio e personagens maravilhosos. E novamente, um dos grandes méritos do filme é a atuação irretocavelmente natural de Greta Gerwig, esposa do diretor e co-autora do roteiro. Só que desta vez, também brilha a estrela de Lola Kirk, que ainda desponta como uma revelação. E repasso o elogio a todo elenco. Um dos mais significativos méritos da obra.



Divertido, verborrágico, interessante e repleto de ótimos diálogos (e personagens), Mistress America é mais um hipnotizante exemplar das obras de Baumbach. Que acredito em breve, assim como foi com Wes Anderson, vá encontrar o seu público.

Crítica: A Colina Escarlate (2015) ***

Direção: Guillermo del Toro
Elenco: Mia Wasikowska, Jessica Chastain, Tom Hiddleston, Jim Beaver.

Sinopse: Apaixonada pelo misterioso Sir Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), a escritora Edith Cushing (Mia Wasikowska) muda-se para sua sombria mansão no alto de uma colina. Habitada também por sua fria cunhada Lucille Sharpe (Jessica Chastain), a casa tem uma história macabra e a forte presença de seres de outro mundo não demora a abalar a sanidade de Edith.

Meu Comentário: Produção classe A dirigida por Guillermo del Toro, simplesmente o responsável pelo ótimo Labirinto do Fauno. A Colina Escarlate é um competente filme de mistério, e que remete em muito ao clássico de Alfred Hitchcock “Rebecca, a mulher inesquecível”, vencedor do Oscar de melhor filme em 1940.

Tecnicamente impecável, e onde sua direção de arte se destaca (figurinos e cenários), o filme é uma competente combinação de terror, romance, suspense e drama. Onde todos os seus elementos são muito bem apresentados. O roteiro é envolvente. Os personagens interessantes. E a atuação do trio de protagonistas impecável. Mia Wasikoska e Tom Hiddleston apresentam a melhor atuação de sua carreira e Jessica Chastain está simplesmente hipnotizante.

Repleto de reviravoltas, o filme me envolveu com seu clima de suspense e também uma certa “pitada” clássica em sua ambientação/desenvolvimento. E um filme de segredos. E consequentemente: revelações. Sem falar em algumas cenas realmente fortes. E ainda intensificadas pela ótima direção de Guillermo del Toro. Acredito que A Colina Escarlate não teve uma repercussão digna, nem de público, nem de crítica, apesar de sua incontestável qualidade. Um dos mais competentes thrillers de 2015.


Acredito que A Colina Escarlate não teve uma repercussão digna, nem de público, nem de crítica, apesar de sua incontestável qualidade. Um dos mais competentes thrillers de 2015.