Críticas de Filmes

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terça-feira, 2 de maio de 2017

Crítica do Filme: Mulheres do Século XX (2016) ****

Direção: Mike Mills
Elenco: Annette Bening, Greta Gerwig, Elle Fanning, Billy Crudup, Lucas Jade Zumann

Sinopse: Na Califórnia dos anos 70, uma mãe (Annette Bening) tenta cuidar de sua família da melhor forma possível enquanto também procura respostas para as vidas de suas duas jovens amigas - uma fotógrafa aficcionada pela cultura punk (Greta Gerwig), e uma amiga de seu filho (Elle Fanning).

Minha Crítica: Terceiro filme da carreira de Mike Mills, que anteriormente havia dirigido Impulsividade (2005) e Toda Forma de Amor (2010), esse é, sem dúvida alguma, o melhor filme de sua carreira e uma das obras mais talentosas de 2016. Tanto é, que o filme foi indicado ao Oscar na categoria de melhor roteiro original, ao Globo de Ouro de melhor comédia ou musical, e poderia facilmente ter obtido uma indicação para Annette Bening na categoria de melhor atriz no Oscar (quem sabe no lugar de Ruth Negga, por Loving, ou da consagrada Meryl Streep em Florence). Em compensação, a atriz foi indicada ao Globo de Ouro na categoria de melhor atriz em comédia ou musical.

Mulheres do Século XX fala sobre as descobertas da adolescencia, amadurecimento, conflito de gerações e amor. Basicamente, o filme é uma comédia dramática, com ótimos dialogos e um atraente desenvolvimento do roteiro. Sem falar no elenco, que está simplesmente fantástico.  E grande parte desse sucesso é derivado de Mike Mills e dá apaixonante atuação de Bening, em uma das melhores de sua carreira. Sem dúvida alguma, Mulheres do Século XX não é somente imperdível, como um dos mais memoráveis filmes do ano. 

quinta-feira, 17 de março de 2016

Crítica: O Abraço da Serpente (2015) ***

Direção: Ciro Guerra
Elenco: Nilbio Torres, Antonio Bolivar, Jan Bijvoet, Brionne Davis.

Sinopse: Théo (Jan Bijvoet) é um explorador europeu que conta com a ajuda do xamã Karamakate (Nilbio Torres) para percorrer o rio Amazonas. Gravemente doente, ele busca uma lendária flor que pode curar sua enfermidade. Quarenta anos depois, a trilha de Théo é seguida por Evan (Brionne Davis), outro explorador que tenta convencer Karamakate a ajudá-lo.

Meu Comentário: Finalista na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar 2016, O Abraço da Serpente é o primeiro filme colombiano a conseguir tal proeza. Sinceramente me surpreendi com a escolha, já que o filme possui uma narrativa que “exige demais” de seu espectador, algo que os votantes da premiação normalmente evitam. O filme é resultado de uma belíssima proposta estética do diretor Ciro Guerra e do diretor de fotografia David Gallegos, que optaram em realizar o filme em preto e branco e ousaram com uma história transcendental.

O filme é baseado nos diários de dois exploradores decididos a desvendar os segredos de uma Amazônia ainda impenetrada. Além de seu visual deslumbrante, O Abraço da Serpente possui grandes interpretações, com destaque para os dois atores (não profissionais) que interpretam o xamã Karamakate. Variando sua narrativa entre presente e passado, seu roteiro transpõe tempo e espaço com uma essência histórica, profunda e antropológica da relação entre o homem branco e os índios, e consequentemente, do homem com a natureza. Abrangendo-se nas questões religiosa, espiritual e na transferência de conhecimento. Pesa contra o filme uma certa monotonia em seu desenvolvimento, causando um certo distanciamento do seu espectador. 

Chamo atenção para sua conclusão que evoca o clássico 2001- Uma Odisseia no Espaço (1968), e em relação as dificuldades naturais encontradas por seus personagens ao longo de seus tortuosos caminhos o filme remete-se ao engenhoso Fitzcarraldo (1982), de Werner Herzog. O Abraço da Serpente, entre erros e acertos, ainda assim merece sua atenção, pois é um dos mais significativos filmes da temporada 2015/2016.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Crítica: Joy: O Nome do Sucesso (2016) ****

Direção: David O.Russell
Elenco: Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Bradley Cooper, Édgar Ramirez, Diane Ladd, Virginia Madsen, .

Sinopse: Criativa desde a infância, Joy Mangano (Jennifer Lawrence) entrou na vida adulta conciliando a jornada de mãe solteira com a de inventora e tanto fez que se tornou uma das empreendedoras de maior sucesso dos Estados Unidos.

Meu Comentário: Já faz algumas horas que assisti a Joy: O Nome do Sucesso e estou até agora estarrecido, que filmaço! Passei a reparar no diretor David O. Russell após ser surpreendido com o ótimo Três Reis (1999), e após o filme, sua carreira só progrediu. Foram três indicações ao Oscar de melhor diretor (O Vencedor, O Lado Bom da Vida e A Trapaça), elogios da crítica e filmes bem particulares. Mas que sinceramente os acho frios, distantes do seu espectador. E entre esses trabalhos, ainda prefiro O Lado Bom da Vida, que possui grande semelhança quanto a estrutura familiar de Joy, o seu melhor trabalho nos últimos anos.

O filme se inicia com a narração da vida de Joy, desde a sua infância até se tornar uma empreendedora de sucesso. E o caminho não foi nada fácil, ao contrário, foi difícil e comovente. E ainda por cima, repleto de obrigações familiares. Joy literalmente “carrega a família nos ombros”. O desempenho de Jennifer Lawrence é soberbo. Ela consegue variar entre uma convincente dona de casa e uma irredutível empresária com grande facilidade. Que atuação. Digna do Globo de Ouro que venceu na categoria de melhor atriz de comédia/musical e também da indicação ao Oscar de melhor atriz. E além de tudo, o elenco está fantástico. Apesar de ser a mais jovem da casa, é ela a base de uma família problemática. Em sua casa mora a mãe (Virginia Madsen), que não sai da cama, e só acompanha uma mesma novela como forma de fugir da realidade. Seu ex-marido, um cantor fracassado. Seus dois filhos. Seu pai (De Niro), expulso de casa pela terceira esposa, e sua avó, protagonizada por Diane Ladd, e narradora da história. E ainda temos a figura de sua meia-irmã (Elizabeth Rohm), que tenta ofuscar de todas as formas o brilho de Joy. Que mesmo no meio desse turbulento lar, e meio a inúmeros problemas, ainda tenta cuidar de todos e ser a matriarca dessa família. Função que sua avó sempre a incentivou a realizar. E que na realidade, sempre acreditou em seu sucesso. 

E para Joy se tornar essa grande empreendedora, o filme narra seus tortuosos caminhos: o descredito familiar, os conflitos e acima de tudo, sua persistência. E para isso o diretor David Russell se utiliza de flashbacks para narrar a estrutura/motivação dos personagens. 

Joy:O Nome do Sucesso é um êxito em vários sentidos. Na clássica trilha sonora. Nas excelentes atuações. No qualitativo desenvolvimento do roteiro. Na eficiente direção de Russell. Na junção de comédia e drama. E principalmente, na exuberante atuação de Lawrence, que prova ser a melhor atriz de sua geração. Uma sessão de cinema que une angustia e prazer na mesma proporção, simplesmente imperdível. 




quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Crítica: Spotlight – Segredos Revelados (2015) ***

Direção: Tom McCarthy
Elenco: Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Liev Schreiber, John Slattery, Stanley Tucci.

Sinopse: Baseado em uma história real, o drama mostra um grupo de jornalistas em Boston que reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos de abuso de crianças, causados por padres católicos. Durante anos, líderes religiosos ocultaram o caso transferindo os padres de região, ao invés de puni-los pelo caso.

Meu Comentário: Spotlight é um poderoso filme de investigação jornalística, e que remete ao maior clássico do gênero, o filme Todos os Homens do Presidente (1976), que retratava as investigações dos hoje renomados Carl Bernstein e Bob Woodward, que culminou no caso Watergate. 

Baseado na notória história real de um grupo de jornalista do Boston Globe. A história gira em torno de suas investigações e das inúmeras denuncias contra a Igreja Católica em relação aos abusos cometidos por padres, além do fato de haver um acobertamento tanto por parte da igreja como pela sociedade. Que no caso de Boston, “ignorava” as denuncias em prol de um bem maior: os pontos positivos de uma interação social entre igreja e cidade.

Essa imponente presença da igreja católica na região de Boston é muito bem exemplificada com os constantes enquadramentos onde personagens e igreja estão na mesmo imagem. Alias, é bom referenciar que a cidade de Boston (capital de Massachusetts), possui uma das maiores comunidades católicas dos Estados Unidos.

O filme consegue envolver o seu espectador com o trabalho investigativo dos jornalistas, assim como, pelas sutis tentativas de influentes personalidades da cidade em “frear” os avanços das investigações. Além disso, ressalto o ótimo trabalho do elenco. E que apesar de não sobressair nenhuma grande atuação, Michael Keaton, Mark Ruffalo e John Slattery se destacam. São atuações sem grande alarde, mas intensas.

A direção de Tom McCarthy é correta, e se analisarmos sua irregular carreira, posso afirmar tranquilamente que esse é o seu melhor trabalho. Não é brilhante, mas sua condução é precisa. 


Também aprecio as mudanças que o roteiro apresenta. Aliás, um ótimo roteiro. No princípio os jornalistas questionam a igreja, depois a comunidade de Boston e por fim, se questionam. Por que não fizemos nada antes? Demonstrando a fragilidade do assunto em uma comunidade amplamente católica.

Spotlight – Segredos Revelados é um dos grandes favoritos ao Oscar 2016, e teve três importantes indicações ao Globo de Ouro: Melhor filme de Drama, melhor diretor e melhor roteiro. Assim como, foi premiado (ou indicado), nas mais importantes premiações da temporada. Sem dúvida alguma o filme é dono de uma história impressionante e que merece ser descoberta.


Crítica Completa no meu canal de cinema


Crítica: Carol (2015) ***

Direção: Todd Haynes
Elenco: Cate Blanchett, Rooney Mara, Sarah Paulson, Kyle Chandler.

Sinopse: A jovem Therese Belivet (Rooney Mara) tem um emprego entediante na seção de brinquedos de uma loja de departamentos. Um dia, ela conhece a elegante Carol Aird (Cate Blanchett), uma cliente que busca um presente de Natal para a sua filha. Carol, que está se divorciando de Harge (Kyle Chandler), também não está contente com a sua vida. As duas se aproximam cada vez mais e, quando Harge a impede de passar o Natal com a filha, Carol convida Therese a fazer uma viagem pelos Estados Unidos.

Meu Comentário: Carol é um dos mais premiados e elogiados filmes de 2015. Fato que até o torna um dos favoritos ao Oscar 2016, mas sinceramente, tirando as atuações de Cate Blanchett e Rooney Mara, o filme é extremamente convencional. Claro, recoberto com o charme de uma ótima produção (ambientação) e a competente (mas não brilhante) direção de Todd Haynes. Mas basicamente é isso. Um filme frio e sutil.  

O mais interessante no filme é a construção dos seus dois principais personagens: a jovem Therese Belivet (Rooney Mara) e Carol (Blanchett). Carol que desde sua primeira aparição já se impõe. É elegante, sabe o que quer, e está disposta a enfrentar qualquer um pelo que acredita. Já Therese é jovem e repleta de dúvidas. E o filme é basicamente isso. Discreto, repleto de cenas filmadas por de trás de vidros (vitrines, carros), para passar a sensação da nebulosidade que envolve os seus personagens.

Narrado de forma delicada, por vezes monótona, o filme se centra nas atuações de Blanchett e Mara, inegavelmente, o melhor do filme. E apesar das boas atuações, lembradas nas mais importantes premiações do mundo, inclusive em Cannes, onde Mara venceu o prêmio de melhor atriz, acho sinceramente que são grandes atuações. Mas não notáveis, e onde ainda prefiro a maturidade de Cate Blanchett.

Se a história não fosse assegurada por um romance homossexual, que passa em 1950, envolto na moralidade social, estaria falando de apenas mais um bom filme. Mas como a base da obra é o romance de Therese e Carol, meio a uma conturbada separação e toda a pressão social sobre sua conduta moral, o filme ganha novos contornos.


No seu terceiro ato, o filme melhora consideravelmente, graças a inserção de elementos externos: a chantagem sobre Carol. Mas sem entrar em detalhes, posso afirmar que fiquei muito satisfeito com a resolução final do filme. 

Carol foi indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor filme de Drama, melhor atriz (Blanchett e Mara), Melhor diretor e Trilha Sonora.


CRÍTICA COMPLETA NO MEU CANAL DE CINEMA




Crítica: 45 Anos (2015) ***

Direção: Andrew Haigh
Elenco: Charlotte Rampling, Tom Courtenay.

Sinopse: Kate Mercer (Charlotte Rampling) está planejando a festa de comemoração dos 45 anos de casada. Porém, cinco dias antes do evento, o marido recebe uma carta: o corpo de seu primeiro amor foi encontrado congelado no meio dos Alpes Suíços. A estrutura emocional deles é seriamente abalada e Kate já não sabe se vai ter o que comemorar durante a festa.

Meu Comentário: Apesar de Charlotte Rampling ser uma das melhores atrizes de sua geração, somente agora, aos 69 anos, ela pode receber sua primeira indicação ao Oscar de melhor atriz. Sem dúvida alguma, um grande absurdo. Só para você ter noção, a atriz já foi indicada 5 vezes em sua categoria no European Film Awards, que premia os melhores filmes realizados no continente europeu.  Aliás, Rampling e Courtenay estão sendo muito elogiados por sua atuação em 45 Anos, merecidamente. 

45 anos é a versão 2015 do premiado Amor (2012), que foi dirigido por Haneke e brilhantemente protagonizado por um casal de atores idosos (Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant). Resultado, Oscar de melhor filme estrangeiro e indicações de melhor filme e atriz. E apesar das histórias serem bem diferentes, a essência é a mesma. Um Tour de Force protagonizado por Rampling e Courtenay, que durante 90 minutos, tem a oportunidade de apresentar grandes atuações, ainda amplificadas por excessivos closes e uma obra que se apega mais as atuações que a própria história.

Para ser justo, tenho que exaltar a forma que a história é desenvolvida. Apesar de sua curta duração, o filme trabalha muito bem os impactos emocionais que o casal sofre com a chegada da notícia da descoberta do corpo do primeiro amor de Geoff (Courtnay), que simplesmente desapareceu em uma geleira na Suíça enquanto ainda namoravam. É claro, uma grande tragédia. Que ao longo do filme, verificamos que impactou toda a relação, e só agora, após o choque do acontecimento, que Rampling percebe a presença desse fantasma durante os 45 anos de seu relacionamento. 

A principio o grande abalo é em relação a Geoff, mas depois de um tempo, é Kate a maior assombrada pelo passado do marido. E nos detalhes, na sutileza da história, ela vai percebendo o impacto que aquele antigo amor tem sobre seu marido e sua vida. 


O filme apresenta enquadramentos deslumbrantes e atuações corajosas. Uma das cenas mais importantes do filme é quando o casal sexagenário em um momento de reconciliação resolve fazer amor. Durante o ato, ela pede ao marido que abra os olhos, e imediatamente ele não consegue manter a ereção. Uma clara demostração de que ele estava com sua esposa na cama, mas com o passado na cabeça.

45 anos é um grande filme. Um grande filme repleto de pequenos gestos, uma história sutil e poderosa. Alias, muito bem desenvolvida pela direção de Andrew Haigh, e onde brilham os dois experientes atores. Posso afirmar que está não é a melhor atuação da carreira de Rampling, mas sim, mais uma grande atuação de sua carreira. E antes que me esqueça, a cena final é primorosa. 45 anos é um dos mais memoráveis filmes de 2015.

Crítica: As Sufragistas (2015) ***

Direção: Sarah Gavron
Elenco: Carey Mulligan, Anne-Marie Duff, Helena Bonham Carter, Brendan Gleeson, Meryl Streep e Ben Whishaw.

Sinopse: No início do século XX, após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Um grupo militante decide coordenar atos de insubordinação, quebrando vidraças e explodindo caixas de correio, para chamar a atenção dos políticos locais à causa. Maud Watts (Carey Mulligan), sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas. Ela enfrenta grande pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina, mas decide que o combate pela igualdade de direitos merece alguns sacrifícios.

Meu Comentário: As Sufragistas é uma típica produção inglesa: ótima ambientação, um pouco fria e repleta de grandes atuações. Apontado no período pré-Oscar como uma das principais produções de 2015, o filme não confirmou seu favoritismo, sendo esquecido nas principais premiações do ano. 

O filme se passa em Londres, precisamente em 1912, e narra a luta de um grupo de mulheres pelo direito ao voto, assim como, por melhores condições sociais. Mas que segundo os políticos da época, já eram representadas por seus pais, maridos e irmãos.

Em razão disso, e comandadas por Emmeline Pankhurst (Streep), elas decidem iniciar uma rebelião voltada para a desobediência civil, e assim, o grupo passou a ser conhecido como as sufragistas, e severamente combatido pela polícia londrina. E onde agressões físicas e psicológicas, eram frequentemente praticadas contra elas.


Resumidamente, As Sufragistas é um filme politico. E onde sua história é muito bem contada, com destaque para a poderosa atuação de Carey Mulligan. E também Anne-Marie Duff e Helena Bonhan Carter, que brilham em personagens coadjuvantes. Apesar de sua condução burocrática (repleta de enquadramentos fechados), honestamente fui cativado pelas dramáticas histórias dessas mulheres, que notoriamente, foram o passo inicial para uma mudança histórica. Definitivamente “As Sufragistas” é um bom filme e repleto de todos os méritos para ser visto: comovente, forte e histórico.

Crítica: Boa Noite, Mamãe (2015) ***

Direção: Severin Fiala, Veronika Franz
Elenco: Susanne Wuest, Lukas Schwarz, Elias Schwarz.

Sinopse: Uma família vive em uma residência isolada em meio a árvores e plantações de milho. Após dias afastada, por conta de cirurgias plásticas, a mãe (Susanne Wuest) volta para casa e não é reconhecida pelos filhos gêmeos. As crianças, de nove anos, duvidam que a mulher de rosto coberto seja realmente sua mãe e a partir de então nada será como antes.

Meu Comentário: Boa Noite, Mamãe é um dos mais inquietantes filmes que já assisti. Posso afirmar que foi um dos filmes que mais me causou incomodo. Ele é capaz de realizar uma poderosa tortura psicológica, não só em seus personagens, como também em seus espectadores.

A construção do clima de suspense em torno da mãe e seus dois filhos é perfeita, assim como a atuação do trio de protagonistas. O filme consegue te envolver em um clima de mistério, dúvidas e uma tensão sempre presente. E que devido a ótima condução dos diretores, o filme “fisga” seu espectador até seu terceiro ato. Onde todo aquele clima de tensão e mistério é deixado de lado, para entrar uma das mais revoltantes e impactantes cenas de tortura que já presenciei em uma obra cinematográfica. Repito, o filme me causou uma das piores sensações que já vivi em uma sala de cinema. Foi uma verdadeira tortura psicológica. Com isso, levanto o seguinte questionamento? O maior deslumbre de um realizador é fazer com que sua obra atinja o seu espectador. E não há dúvidas de que o filme me envolveu e me causou incômodos. Sendo assim, houve uma forte interação entre eu e o filme. E digo mais, reconheço todo o impacto do filme e suas qualidades. Mas será que esse é o objetivo principal de uma obra. Deixar seu espectador tão incomodado a ponto de pensar em abandonar o filme? Sinceramente, só vai “admirar” “Boa noite, Mamãe”, quem literalmente é um sadomasoquista. 


Boa Noite, Mamãe é uma obra que verdadeiramente merece ser vista. Além disso, o filme foi indicado em várias premiações pelo mundo, inclusive no importantíssimo European Film Awards, que premia os melhores filmes realizados no velho continente. E foi o selecionado pela Áustria para a corrida do Oscar 2016. Não há dúvidas a respeito de sua qualidade, mas tenho sérias dúvidas a respeito de suas intenções.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Crítica: Mustang- Cinco Graças (2015) ***

Direção: Deniz Gamze Erguven 
Elenco: Gunes Sensoy, Doga Zeynep Doguslu, Elit Iscan.

Sinopse: No início do verão em um vilarejo turco, Lale e suas 4 irmãs brincam de forma debochada com os meninos, o que acarreta em um escândalo de consequências muito fortes: a casa delas se torna praticamente uma prisão, elas aprendem a limpar ao invés de ir para a escola e seus casamentos começam a ser arranjados. As cinco não deixam de desejar a liberdade, e tentam resistir aos limites que lhes são impostos.

Meu Comentário: Apesar da história se passar na Turquia, Cinco Graças é o filme escolhido pela França para tentar uma vaga no Oscar de melhor filme estrangeiro. Além disso, o filme foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e participou da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes de 2015. Onde foi premiado.

Sensível e tocante, o filme acompanha um grupo de cinco irmãs que são criadas pela avó e por um tio de forma rígida. Tudo dentro de um contexto religiosos, social e conservador. Após as meninas irem à praia com um grupo de amigos, são praticamente aprisionadas dentro de casa enquanto casamentos são “arranjados” para elas. Durante esse tempo, as cinco aprendem lições de como cozinhar e se portar, para assim, serem boas esposas. O filme é basicamente visto pelo ponto de vista da irmã mais nova, e também, a mais petulante, ou se preferir, a que possui menos medo de enfrentar as imposições a que são delegadas.

As atuações são naturais, elogiáveis, assim como como o desenvolvimento dado por Deniz Gamze Erguven. Simples, sólido, direto e abrasivo. O choque cultural que sentimos está nas entrelinhas. E não diretamente na tela. Até mesmo na cena mais impactante do filme... só resta ao espectador imaginar o que aconteceu.



Cinco Graças não é impecável. Muito ao contrário. É um filme realizado de forma convencional, com uma história até mesmo semelhante a muitas outras já levadas as telas e que não é necessariamente um grito de socorro. Apenas um filme afetivo e encantador. Apaixonante. Seu grande mérito é a sua poderosa história e o magnetismo das cinco irmãs, que realmente, encantam não só os jovens moradores de sua província turca, como também aos seus espectadores. 

sábado, 7 de novembro de 2015

Crítica: Viver é Fácil com os Olhos Fechados (2015) ***

Direção: David Trueba
Elenco: Javier Cámara, Natalia de Molina e Francesc Colomer.

Sinopse: Em plena década de 60, Antonio (Javier Cámara), um modesto professor de inglês, é fã incondicional dos Beatles e sonha em conhecer seu ídolo, John Lennon. Para encontrar o seu "herói", o professor viaja até Almeria e no meio do caminho esbarra com dois jovens: Belén (Natalia de Molina) e Juanjo (Francesc Colomer), um garoto de dezesseis que está fugindo do pai autoritário. O encontro faz a vida de cada um tomar rumos imprevisíveis.

Meu Comentário: Me surpreendi e gostei muito desse Road Movie espanhol, que venceu o Goya de melhor filme em 2014 (a mais importante premiação da Espanha), assim como foi premiado em vários festivais de cinema pelo mundo. Além disso, o belo filme é o candidato do país ao Oscar de melhor filme estrangeiro. 

Tocante, sensível e humano. Viver é Fácil com os Olhos Fechados cativa de maneira fácil o seu espectador graças aos seus personagens. Ainda que esses estejam perdidos em seus caminhos. E essa junção de dois jovens com um homem mais experiente – apesar de possuir uma inocência palpável em suas ações. Faz com que o trio se descubra ainda mais e de alguma maneira se complete.


As atuações do trio de protagonistas são altamente elogiáveis, e onde destaco a do veterano Javier Cámara, que possui intenções não tão perceptíveis a princípio, mas que ao longo do filme se revela um admirável personagem.

Viver é fácil com os olhos fechados me deixou realmente encantado. E o indico para todos que realmente querem ser surpreendidos com um filme muito bem desenvolvido e também aos fãs dos Beatles, que facilmente vão se identificar com a obra, já que a banda/John Lennon é o seu fio condutor e ainda a inspiração para o seu título que foi retirado da canção Strawberry Fields Forever. E não deixe de assistir a essa simpática obra. Você não vai se arrepender.