Críticas de Filmes

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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Os Melhores Filmes de Tim Burton

                                                                                                    ❤❤❤ Filmes Vistos/revistos durante 2017


São tantos os filmes que ainda tenho que ver (ou rever), que fui obrigado a fazer um planejamento mensal para me direcionar. Como tento assistir ao menos um filme por dia, resolvi em algumas semanas ver (ou rever) toda obra de Tim Burton, apesar de não ser um grande fã do cineasta.

Não pretendo aqui fazer uma biografia muito aprofundada de sua carreira nem analisar todos os filmes, mas apenas pincelar meu ponto de vista sobre suas obras mais importantes.Só para relembrar um pouco à carreira e as tendências do diretor, Tim Burton começou na animação trabalhando nos estúdios Disney e desde a sua infância, sempre teve uma paixão e foi influenciado pelos filmes de horror, que homenagearia mais tarde em dois dos seus melhores trabalhos Ed Wood(1994) e A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça(1999).


Bem, minha viagem pelas obras de Tim Burton começou pelo começo. Como nunca tinha visto, assisti a estreia do diretor em As Grandes Aventuras de Pee-Wee, um filme fraco e esquisito. Não precisei rever doistrês filmes que, por acaso, tinha revisto nos últimos anos. O divertido Os Fantasmas se Divertem(1988) (a primeira grande obra de Tim Burton)  e Edward Mãos de Tesoura(1990), que para muitos é sua obra prima.

Após o estouro cinematográfico em sua carreira, Tim Burton se aventurou no mundo do homem-morcego, dirigindo Batman(1989) e Batman, o Retorno(1992). Bons filmes que marcaram ainda mais as características visuais do diretor.

Sempre caminhando ao lado da comédia, ou do humor negro, em 1996 o diretor resolve se aventurar no irregular (mas divertido) Marte Ataca, que apesar de possuir ótimas piadas e um elenco de peso (Jack Nicholson e Glenn Close) foi um filme incompreendido. Mas sem dúvida alguma um bom entretenimento (apesar de reconhecer que é bem bizarro).

Fechando os anos 1990 Tim Burton dirigiu A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça(1999), usando uma direção de arte perfeita e uma história clássica dos Estados Unidos. Mas seu grande filme na década foi sem dúvida alguma Ed Wood (1994), biografia do dito pior diretor de todos os tempos. E após a revisão, a obra se torna apaixonante. Seja pelo uso do preto e branco, pela conjunção de drama e humor, ou mesmo a atuação marcante e inesquecível de Martin Landau (premiado com o Oscar) na pele de Bela Lugosi. Ed Wood é um filmaço, ri e me emocionei em vários momentos.


Já nos últimos anos, Tim Burton conseguiu reunir duas grandes obras e seus piores filmes. Nessa revisão, aponto Peixe Grande e suas histórias maravilhosas(2003) como a obra prima de sua carreira. Principalmente por reunir os principais elementos que o caracterizam dentro da expressão “cinema de autor”, e que se tornaram marcantes ao longo de sua carreira: uma direção de arte esplendida, histórias com elementos de fantasia e personagens mágicos.

Outra grande obra do diretor é o ótimo Sweeney Todd(2007),  um musical toda estilizado e que conta com uma atuação marcante de Johnny Depp. E quanto aos piores? Não posso deixar de mencionar A Fantástica Fabrica de Chocolate(2005) e Alice no País das Maravilhas(2010).

E no meio de tantas obras revi O Planeta dos Macacos(2001), uma refilmagem ainda que inferior ao grande clássico de 1968, que além de ser um dos mais importantes filmes de todos os tempos no gênero, está na minha lista de prediletos. Confesso que nessa revisão entendi melhor o filme e as intenções do diretor. Entendo, por exemplo, que Tim Burton não quis fazer um remake e sim dar uma nova “roupagem” a obra literária de Pierre Boulle, mesmo considerando a versão de 1968 bem superior(principalmente pelo excepcional e inesquecível final), mas acho que Tim Burton pelo menos ousou em fazer algo diferente(mesmo não dando tão certo).  

E mais recentemente Tim Burton dirigiu Sombras da Noite (2012), Frankenweenie (2012), Grandes Olhos (2014) e O Lar das Crianças Peculiares (2016). 


Confira os 7 melhores filmes de Tim Burton:




1) Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas (2003) ★★★★
(Obra Prima)























2) Ed Wood (1994) ★★★★









3) Edward Mãos de Tesoura (1990) ★★★★





















4) Os Fantasmas se Divertem (1988) ★★★





 5) Sweeney Todd (2007) ★★★























6) A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça(1999) ★★★








7) Batman:O Retorno (1992) ★★★



















Vale a Pena Conferir:
Grandes Olhos (2014) ★★★
Sombras da Noite (2012) ★★★
A Noiva Cadáver (2005) ★★★
O Planeta dos Macados (2001) ★★ 
Marte Ataca! (1996) ★★★
Batman (1989) ★★★


Pior Filme do Diretor:
As Grandes Aventuras de Pee-wee (1985) 💣

domingo, 27 de dezembro de 2015

Os Melhores Filmes de Quentin Tarantino


Cultuado e dono de uma legião de fãs, Tarantino alcançou fama no início dos anos 90 com duas grandes obras: Cães de Aluguel e Pulp Fiction. Filmes que apresentavam em sua essência, as características do diretor: roteiros não lineares, diálogos e personagens memoráveis, e o uso da violência de uma forma impactante, mas não gratuita.

Cinéfilo inveterado, ocasionalmente, o diretor acaba homenageando gêneros ou estilos cinematográficos em sua filmografia. Foi assim em Kill Bill, Bastardos Inglórios e Django.

Sua filmografia inclui: Cães de Aluguel (1992), Pulp Fiction (1994), Grand Hotel (1995), Jackie Brown (1997),  Kill Bill (2003/2004), À Prova da Morte (2007), Bastardos Inglórios (2009), Django Livre (2012) e para 2016 Os oito Odiados.

Além de sua grande fama de diretor, Tarantino também é ator e roteirista de grandes obras da história recente do cinema, cito como exemplo: Assassinos por Natureza(1994), dirigido por Oliver Stone e roteirizado por ele. Também não posso deixar de citar o cultuado Um Drink no Inferno, filme no qual atuou e também roteirizou. E o ótimo Amor à Queima Roupa (roteiro), hoje considerado um filme Cult e que foi dirigido por Tony Scott.

7. Jackie Brown ***
"Divertido, com algumas cenas memoráveis e um ótimo elenco,
Tarantino construiu em Jackie Brown uma obra que possívelmente no futuro 
ainda vai se tornar cult"
6. Um Drink No Inferno ****
" Filme de ação, suspense e terror. Junte dois assassinos sanguinários e  um ataque vampiro e terá um dos mais admirados filmes dos anos 90. Simplesmente sensacional"

5. Cães de Aluguel ****
"O que falar de um filme tão violento, admirado e que ainda por cima revelou todo o talento e criatividade de Quentin Tarantino. Cães de Aluguel é brilhante!

4. Kill Bill ****
"Original, divertido, engraçado e muito violento. Kill Bill é genialmente feito para agradar"

3. Bastardos Inglórios ****
"Um dos mais admirados  filmes da década. 
Tarantino criou uma obra repleta de cenas geniais e dialógos mais geniais ainda"

2. Pulp Fiction *****
"Sensacional! Uma verdadeira obra prima de Tarantino!"

1. Django Livre*****
 Simplesmente Genial! Tarantino se supera!



Crítica do Filme no meu canal do Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=ESe1Vh6SvWs&feature=youtu.be

domingo, 24 de maio de 2015

Crítica: 007 – Operação Skyfall (2012)***** (REVISÃO)

Direção: Sam Mendes
Gênero: Ação/Suspense
Elenco: Daniel Craig, Judi Dench, Javier Bardem, Ralph Fiennes, Naomie Harris, Albert Finney, Ben Whishaw.

Meu comentário: Recentemente tive a oportunidade de rever 007 - Operação Skyfall, e me surpreendi com a grande qualidade do filme. E posso chegar até mesmo a afirmar que é indiscutivelmente o melhor filme da franquia (muito devido ao calor do momento).

Hipnótico, divertido e repleto de frases de efeito, como na cena da "tortura" de Bond pelo vilão Silva( interpretado por Javier Bardem), que é tão bem filmada quanto idealizada. Operação Skyfall me (re)surpreendeu do inicio ao fim. Realmente estamos a frente de uma obra diferenciada e clássica dos "pés a cabeça".

Segue abaixo a crítica original:

Crítica do Filme
007 – Operação Skyfall, chega as telas justamente no ano em que o mais famoso agente secreto do cinema, James Bond, comemora 50 anos de sua estréia no inesquecível “007 Contra o Satânico Dr.No”. E incrivelmente, após seus 23 filmes e seis atores interpretando o personagem principal (Sean Connery, Roger Moore, Timothy Dalton, George Lazenby, Pierce Brosnan e finalmente Daniel Craig), Skyfall é saudada por grande parte da crítica mundial – e também nas bilheterias –, como o melhor filme da série, nesse aspecto eu concordo em parte.

Desde os primeiros romances de seu criador Ian Fleming, Bond sempre carregou características marcantes: elegância, britânico, rebelde e extremamente mulherengo, e confesso que ao descobrir que Daniel Craig havia sido escolhido para interpretar o imponente personagem nos cinemas, não consegui enxergar a priori essas renomadas características nele, uma vez que as vejo facilmente em Sean Connery (saudado como o melhor Bond da História), Roger Moore (meu predileto) e Pierce Brosnan (que apesar de sua fácil identificação, falhou pelos excessos de ação e pouco conteúdo de seus filmes). Hoje percebo que Craig foi uma escolha acertada e ele está incrivelmente bem em Operação Skyfall.

Outras características marcantes dos filmes 007 são seus personagens recorrentes, como M, Q e Moneypenny, vilões excêntricos, lugares exóticos, seus aparatos tecnológicos sofisticados, carros incríveis, as belíssimas “Bond Girls”, além de toda caracterização visual e sonora do filme: seu inicio sempre repleto de ação, logo depois entra em cena o clipe musical durante os créditos iniciais – já cantados por Adele, Paul McCartney, Tina Turner, Sheena Easton, Duran Duran e em grande parte, lideres das paradas de sucesso –, a marcante musica tema e a famosa cena do tiro. Todos os momentos citados acima são marcantes e obrigatórios para todo Bond fanático. E mesmo eu sendo um admirador apenas distante da Bond mania, qualquer coisa diferente dessas marcantes características soa para mim como falha e fuga de um obrigatório e clássico formato.


E após os últimos três filmes protagonizados por Daniel Craig (Casino Royale, Quantum of Solace e Operação Skyfall), percebemos uma mudança acentuada na condução dos filmes e também na interpretação de James Bond. Os novos filmes estão cada vez mais realistas, viscerais, menos glamorosos e acima de tudo, com personagens mais “humanos” e menos fantasiosos. Talvez por isso a série 007 tenha se reinventado e recebido tantos elogios nas suas ultimas três obras, especialmente Skyfall, que é na verdade uma síntese de todas essas mudanças e uma obra de maturidade, que com a destreza e capacidade da direção de Sam Mendes (Beleza Americana), solidificou traços clássicos com essa “nova roupagem” mais séria, realista, e onde as inacreditáveis cenas de ação deram lugar a personagens cada vez mais complexos e de fácil aceitação para o espectador. Simplificando, o fantástico deu vez a uma seriedade que me agrada, mas pode parecer presunçosa perante uma história tão fantástica e de meio século de enorme sucesso.

007 – Operação Skyfall é marcante por ser uma obra de excelência em relação aos três últimos filmes da série, tanto em seus conceitos como no desenvolvimento do roteiro, além de ser de fácil percepção o quanto Daniel Craig e Judi Dench estão a vontade e incrivelmente bem em seus papeis – mas muito longe das indicações e premiações que Dench tem recebido por seu trabalho em Skyfall, onde não enxergo nada a mais do que uma contida Judi Dench. Outro mérito da obra é ter conseguido “criar” um personagem tão enigmático e complexo - além de visualmente gay (o que é uma grande ousadia) -, e ao mesmo tempo palpável quanto é Silva, novamente em uma ótima atuação de Javier Bardem, e que com sua jornada pessoal de vingança brilha nas telas e pode novamente ser indicado como melhor ator coadjuvante na edição 2012 do Oscar– mas em minha opinião, com poucas chances de ser o vencedor.
Extremamente hipnótico (seu inicio é envolvente e fantástico), repleto de homenagens e citações aos grandes clássicos da franquia, além de uma condução potencial porém com traços artísticos de Sam Mendes (como na ótima cena da luta de Bond em uma jogo de sombras), Skyfall é o grande blockbuster do ano e se for para termos um indicado mais popular ao Oscar de melhor filme em 2012 indicaria de olhos fechados 007 em relação ao sempre pretensioso Batman de Christopher Nolan. E ainda abro outro importante questionamento, quando Sam Mendes veio a público falar que se baseou na direção de Nolan e seus Batmans para aceitar dirigir o seu 007, acredito que ele não tenha falado quanto a forma de dirigir e sim tenha percebido que um grande diretor pode sim se envolver em um projeto tão direcionado e pouco autoral quanto são os filmes de ação e percebeu a possibilidade de ser não apenas um realizador, e sim construir uma obra com sua marca, pois na condução do filme em nada percebo semelhanças entre um e outro, na realidade, percebo sim e em ambos, as preciosas e particulares tendências de suas direções.
Trailer Aqui.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Crítica do Filme: O Conselheiro do Crime (2013) **

Direção: Ridley Scott
Elenco: Michael Fassbender, Javier Barden, Brad Pitt, Penélope Cruz, Cameron Diaz


Comentário: Dirigido por Ridley Scott – que vem colecionando “obras irregulares” nos últimos anos –, O Conselheiro do Crime é mais uma produção que envolve grandes nomes e que acaba resultando em um filme pífio. Lembro que além da direção de Scott, que dirigiu os já clássicos Alien, O Oitavo Passageiro (1979), Blade Runner(1982) e Gladiador(2000), o filme também conta com um roteiro do escritor Cormac McCarthy, também responsável pelo livro que deu origem ao excelente Onde os Fracos não tem Vez e ao também irregular A Estrada(2009).

O Conselheiro do Crime conta a história de um advogado (Fassbender), que acaba se envolvendo por completo com o narcotráfico e após uma transação dar errado vê sua vida se tornar um caos. O grande curioso é que o personagem interpretado por Fassbender ao invés de dar conselhos acaba recebendo conselhos de vários personagens ao longo do filme, demonstrando assim que os conhecimentos que possui são inerentes a advocacia e quando se trata de “negócios sujos”, ele é na realidade um grande aprendiz.

Um dos pontos que contribuem para o insucesso do filme é o uso excessivo e desnecessário de diálogos rebuscados e filosóficos, fazendo com que o espectador tenha que aguentar sequências e mais sequências de diálogos que não levam a lugar algum e repletos de banalidades poéticas. Com isso o filme se torna repetitivo e por que não, chato.

Utilizando como pano de fundo a fronteira entre México e Estados Unidos, além dos bastidores do narcotráfico internacional, O Conselheiro do Crime possui muito mais erros do que acertos, se tornando um filme enfadonho e com poucos atrativos. Destaco a qualidade técnica do filme – apesar de não sentir tanta confiança na direção imposta por Ridley Scott – além da elogiável atuação de Cameron Diaz e de um grande elenco que apenas atua de forma convincente (com exceção de Javier Bardem, ultra exagerado).

Também vale citar as memoráveis cenas de violência impostas pelo filme (poucas, porém marcantes), e uma cena sexual entre a personagem de Cameron Diaz e um carro, incrivelmente narrada em detalhes pelo próprio Barden.

domingo, 13 de outubro de 2013

Crítica do Filme: As Amantes Passageiros (2013) **

  1. Direção: Pedro Almodovar
    Gênero: Comédia
    Elenco: Javier Cámara, Cecília Roth, Carlos Areces.
    Sinopse: Um avião da companhia aérea Península enfrenta problemas durante um vôo para o México, já que um dos trens de pouso não está mais funcionando. Durante este período todos os passageiros e as aeromoças da classe econômica são dopados, para evitar que haja pânico generalizado. Os únicos acordados são os comissários de bordo e os passageiros da classe executiva, que, percebendo que correm sério risco de morrerem, decidem abrir o jogo sobre segredos de suas vidas pessoais.
Comentário: Pedro Almodóvar não só é um dos meus diretores prediletos como também suas obras são aquelas que muito me instigam a assistir, tudo pelo prazer de ser surpreendido com suas obras ora polêmicas, ora engraçados, ou mesmo irretocáveis – Fale Com Ela (2002). Contudo, seu ultimo filme “Os Amantes Passageiros” é uma grande decepção em todos os sentidos e provavelmente o seu pior filme em pelo menos seus últimos 20 anos de carreira. Justamente após uma sequência de grandes obras: Tudo Sobre Minha Mãe, Fale Com Ela, Má Educação, Volver e A Pele que Hábito.

Os Amantes Passageiros se passa durante um voo entre a Espanha e México e tudo acontece. Passageiros são “drogados”, sexo acontece a todo o momento, tanto entre tripulação quanto passageiros, todos os comissários de bordo ou são gays ou bissexuais, resumindo, é uma verdadeira confusão realizada em tom de comédia para agradar ao público. Só esqueceram de avisar ao público que era para ser engraçado, mas não é. O Filme peca pela simplicidade e principalmente por uma história muito fraca e que não segura o interesse do público e o pior, todos os elementos de Almodóvar estão lá: o deboche, as cores vibrantes e seus principais colaboradores ( Cecília Roth, Penélope Cruz, Antonio Bandeiras, Javier Cámara), porém o filme é um enorme e retumbante fracasso. Trailer Aqui

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Crtítica do Filme: O Grande Gatsby (2012)*** e O Grande Gatsby (1974) ***

 




















Grande Gatsby (1974)
Direção: Jack Clayton
Gênero: Drama/ Romance
Elenco: Robert Redford, Mia Ferrow, Bruce Dern, Sam Waterston, Karen Black, Scott Wilson

O Grande Gatsby (2013)
Direção: Baz Luhrmann
Gênero: Drama/ Romance
Elenco: Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire, Carey Mulligan, Isla Fisher, Jason Clark.


Sinopse: Nick Carraway, tinha um grande fascínio por seu vizinho, o misterioso Jay Gatsby. Após ser convidado pelo milionário para uma festa incrível, o relacionamento de ambos torna-se uma forte amizade. Quando Nick descobre que seu amigo tem uma antiga paixão por sua prima Daisy Buchanan, ele resolve reaproximar os dois, esquecendo o fato de ela ser casada com seu velho amigo dos tempos de faculdade, o também endinheirado Tom Buchanan. Agora, o conflito está armado e as consequências serão trágicas.

Comentário: Apesar de já possuir a muito tempo em minha cinemateca O Grande Gatsby (1974), nunca havia tido a oportunidade de assistir ao filme que é baseado na tradicional e clássica obra literária americana escrita por F. Scott Fitzgerard. E aproveitando a estreia da versão de Baz Luhrmann para o mesmo romance, aproveitei e assisti às duas obras em sequência. Primeiro a clássica versão de 74, depois a nova roupagem dada por Lurhmann em 2013. E já de antemão posso sintetizar que ambas as versões possuem erros e acertos, mas que no geral deram forma a dois bons filmes e que a meu ver são totalmente equivalentes.


A versão de 1974 foi dirigida por Jack Clayton, que seguindo os moldes de seu “estilo inglês”, resolveu optar por uma obra mais clássica, podendo dizer que é até mesmo distante do espectador. Por vezes tenho a impressão que é uma versão “engessada” e que em alguns momentos carece de brilho. Tudo ocorre de maneira lenta, suave, e onde até mesmo as atuações são mais intimistas e com isso se sobressaem sobre as atuações da versão de 2013. Já o diretor Baz Lurhmann – que dentro de sua cinematografia destaco o fascinante Moulin Rouge (2001) e que considero uma obra prima –, realizou uma obra com requintes de deslumbre e bem próximo do seu estilo “espalhafatoso” facilmente percebido em Moulin Rouge. Na realidade o diretor maximizou ao máximo o que era deslumbrante no romance de Fitzgerard e com isso o filme ficou entre “dois pesos e duas medidas”.



Na primeira parte ele é deslumbrante, coreografado, visualmente impecável e fascinante, já na segunda parte (extremamente dramática), o filme se torna sem vida, pois apenas o personagem de Leonardo Dicaprio sobressai, já que o restante do elenco fica devendo e muito em relação à versão de 74. 

 
Na versão dirigida por Jack Clayton tínhamos Robert Redford como Gatsby e que considero que foi devidamente equiparada por Dicaprio nessa releitura. Ambas conseguem dar o tom sombrio do personagem Gatsby e suas atuações acabam reféns de um personagem que durante grande parte do filme tenda transpor seu ar de mistério. Já o personagem Nick Carraway, e que narra à história, foi interpretado por Sam Wayterston em 74 e em 2013 por Tobey Maguire. Também considero as atuações equivalentes e chamo atenção para a forma com qual o personagem é trabalhado e se comporta durante ambos os filmes. Na verdade Carraway é um grande espectador de toda trágica história que envolve os personagens. E assim como os espectadores que nós somos, limita-se a observar e pouco adentra a “verdadeira história” para mudar os rumos ou interferir neles, ao contrário, sua atuação dentro de ambas as obras são de total imparcialidade e passividade, cabendo a ele apenas algumas observações e julgamentos, muito mais acentuados na versão de Lurhmann do que a de Clayton.


Já quanto ao elenco feminino, acredito que a versão de 1974 consegue sobressair com veemência em relação à nova versão. Nem tanto em relação à personagem Daisy, que foi muito bem interpretada por Mia Ferrow em 74 e revivida por Carey Mulligan em 2013. Mas principalmente a personagem Myrtle Wilson, amante de Tom Buchanan, que perde consideravelmente importância na refilmagem. E impressionante também como a atuação de Isla Fisher é rasa em relação à excepcional atuação de Karen Black. Karen conseguiu moldar uma atuação poderosa e que transmite toda influencia que a personagem tem dentro da história, e infelizmente assim como também ocorre com o personagem de Tom Mulligan na versão de 2013, ambas perdem força e com isso não dão a sustentabilidade necessária a história e principalmente ao desfecho do filme.

A versão de Jack Clayton para O Grande Gastby é suntuosa, requintada, perceptivelmente inglesa. Talvez um pouco fria e distante. Mas que consegue dar ao espectador a verdadeira noção dos anos 20. Seja com a maneira mais realista das festas, dos seus cenários e mesmo dos acontecimentos envolvendo os personagens e também pelas excelentes atuações.  Muito mais verossímeis do que da nova versão de 2013.



 Já Baz Luhrmann construiu em sua versão de O Grande Gastby um verdadeiro espetáculo aos olhos do publico em grande parte da obra e pecou e muito na resolução do filme. Justamente no momento em que os sentimentos e as relações humanas dos personagens deveriam sobressair na história. Talvez demonstrando que seja mais fácil para o diretor lhe dar com coreografias e cenários do que com sentimentos. O filme é divertido, por vezes irreal, tecnicamente impecável e visualmente belo. Destaco também sua acelerada e talvez desnecessária edição de videoclipe, tudo ocorre muito rápido para Lurhmann, e com isso o já comentado contraste entre espetáculo e drama presentes no filme fica cada vez mais acentuado. Outra diferença interessante é que na versão de Clayton o Jazz, marca registrada do inicio do século é presente durante toda sua obra é substituída na versão de 2013 por  fragmentos do pop e também rap americano.
 
Mas analisando de uma forma geral, O Grande Gatsby, seja na versão de Jack Clayton ou de Baz Luhrmann continua sendo uma obra obrigatória, interessante, intensa e onde o magnético personagem de Gatsby e sua obsessão amorosa pela indiferente e inerte Dayse, é tratado de forma elogiável e resultaram em duas grandes obras cinematográficas. Ambas sob os olhares atentos dos olhos que tudo vê, e que na realidade são os "nossos olhos",os olhos da sociedade. E também o mais interessante de analisarmos ambas as obras praticamente de forma simultânea é conseguir perceber como cada diretor cria tensão, elabora e executa cada trecho primordial da obra de Fitzgerard.Trailer Aqui.

sábado, 1 de junho de 2013

Crítica do Filme: Em Transe (2013)***1/2 (Muito Bom)

Direção: Danny Boyle
Gênero: Suspense
Elenco: James McAvoy, Vincent Cassel, Rosário Dawson, Danny Sapani.
Sinopse:
Um profissional (James McAvoy) ligado aos leilões de peças de arte acaba envolvido com uma gangue responsável pelo roubo de quadros. Para se livrar destas pessoas, ele deve se unir a uma hipnoterapeuta (Rosario Dawson), mas logo a relação entre desejo, realidade e sugestão hipnótica começa a colocar todos em perigo.

Crítica do Filme: Em Transe é uma grata surpresa cinematográfica. Sensorial, envolvente, confuso, ilusório, enganador, surpreendente, tudo isso em uma só obra, méritos e consequências de mais uma direção eficiente e mirabolante de Danny Boyle, que com contrastes e uma fotografia onipresente, conseguiu criar um filme que caminha os trilhos de “A origem”(2010) e Amnésia(2000), ambos dirigidos por Christopher Nolan, e com um grande diferencial,  mesmo que soe absurdo para alguns ele se explica no final e de forma muito interessante e satisfatória.

Eu confesso que tenho uma relação um pouco confusa com as obras de Danny Boyle. Tenho uma real admiração por alguns de seus filmes, mas ainda considero Quem quer Ser um Milionário seu “grande filme”, e ainda sou contra a corrente que admira Cova Rasa e Trainspotting, que mesmo sendo seu “grito de alerta”, eu o reavalio como uma obra apenas regular, e considero o restante de sua cinematografia igualmente repleta de altos (Sunshine?) e baixos (127 horas?). Contudo quando menos esperava novamente Danny Boyle me conquista com um filme “pequeno”, porém grandioso em suas pretensões. Assim como já havia feito antes com os ótimos A Praia(2000) e Extermínio( 2002), obras menores para alguns e muito admiradas por mim, Danny demonstra toda sua capacidade de fazer cinema e com uma montagem rápida( marca do diretor) e uma condução repleta de energia. Em Transe verdadeiramente hipnotiza seu espectador que tenta a todo custo se focar na história e entender um autentico quebra- cabeças cinematográfico.


Repleto de reviravoltas e com atuações poderosas de Vincent Cassell (sempre surpreendendo) e Rosário Dawson (e suas impactantes cenas de nudez), e apesar da sempre apatia de James McAvoy (que não atrapalha mesmo sendo o protagonista), o filme ainda é sustentado durante toda sua exibição por um roteiro admirável e igual condução de Boyle.

Trilhando um caminho onde real e irreal, imaginário e concreto se fundem, Em Transe mantém o interesse do espectador com sua história até o seu ultimo minuto utilizando um emaranhado de “trilhas enganadoras” e um suspense sempre presente. Além disso, possui a qualidade e capacidade de fazer seu observador (ou voyeur), pensar. Algo muito difícil no cinema de hoje.E tem mais um detalhe, adorei a ambiguidade da cena final. Trailer Aqui.

domingo, 19 de maio de 2013

Crítica do Filme: Terapia de Risco(2013)*** ( Bom Filme)

Direção: Steven Soderbergh
Gênero: Drama/Suspense
Elenco: Jude Law, Rooney Mara, Catherine Zeta-Jones, Channing Tatum.
Sinopse:
A trama gira em torno da jovem Emily Hawkins (Rooney Mara), que acaba de ver o marido (Channing Tatum) ser libertado da prisão. Mesmo aliviada, Emily tem crises de depressão e busca a ajuda de medicamentos prescritos para conter a ansiedade buscando amparo num tratamento psicológico com grandes profissionais da área (Jude Law e Catherine Zeta-Jones). O tratamento, por mais que comece de forma positiva, vai gerar conseqüências inesperadas na vida da jovem.

Comentário: Nos últimos anos o já consagrado diretor Steven Soderbergh, tem apostado toda sua carreira e renome em projetos excessivamente irregulares, como o grande fracasso da biografia de Che Guevara(2008), no irregular Contágio(2011), Magic Mike(2012) e o fraquíssimo A Toda Prova(2011), todas obras prolixas e que resultaram em verdadeiros fracassos de público e crítica.

Lembro que Soderbergh se revelou para o mundo no premiado Sexo, Mentiras e Videotape(1989) e se consagrou definitivamente com sua obra prima Traffic(2000). Além de também ter dirigido os cultuados: Erin Brokovich (2000), Irresistível Paixão(1998), Onze Homens e um Segredo(2001), Solaris(2002) e O Desinformante(2009), esse sendo seu último grande filme.

E para quem como eu não acreditava mais na carreira do diretor (que promete se aposentar brevemente), fui ligeiramente surpreendido por Terapia de Risco. Um filme que pelo trailer e sinopse não consegue transpor toda complexidade presente em seu roteiro e a boa condução do diretor. Talvez a grande falha do filme seja a sua dificuldade em se definir para o espectador logo em seu inicio, e para isso o filme precisa de aproximadamente uma hora e meia e algumas reviravoltas para ser entendido como um competente e interessante suspense.


Definitivamente outro grande mérito do filme é seu elenco que reúne os nomes de Jude Law, Catherine Zeta-Jones, Channing Tatum e Rooney Mara, que para quem não está familiarizada com a protagonista da obra, ela é a grande estrela da refilmagem americana de Millennium- Os Homens que não Amavam as Mulheres, ao lado de Daniel Craig.

Envolvente, bem conduzido e eficiente, Terapia de Risco trafega entre drama e suspense policial com a mesma facilidade que seu roteiro repleto de reviravoltas surpreende o espectador a cada minuto, principalmente em seus momentos finais. Com isso o filme fica tentando fugir do convencional e aposta todas as suas fichas em dramas pessoais, boas atuações e uma história palpável ao invés de muita correria e grandes cenas de explosões, algo mais fácil tanto para o público quanto para um diretor menos talentoso. O seu desenvolvimento lembra em muito o ritmo de Contágio (também estrelado por Jude Law e dirigido por Soderbergh), mas com um resultado final muito superior.

Um pouco lento para o grande público e muito irregular para um espectador mais exigente, Terapia de Risco tenta afastar seus defeitos a todo o momento e deixar no espectador apenas a idéia de sua ótima seqüência final e se firmar como m eficiente Thriller. Talvez seja esse o grande problema do filme, achar o seu espectador ideal. E apesar de obter um resultado ainda que satisfatório, o filme não se garante como uma obra altamente recomendável, ao contrário, Terapia de Risco é uma contraditória variação de boa trama e vários pontos falhos. Trailer Aqui.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Crítica do Filme:Anna Karenina (2012)***(Bom Filme)

Direção: Joe Wright
Gênero: Drama/Romance
Elenco: Keira Knightley, Jude Law, Aaron Taylor-Johnson, Kelly Mcdonald, Domhnall Gleeson.
Sinopse:
Século XIX. Anna Karenina (Keira Knightley) é casada com Alexei Karenin (Jude Law), um rico funcionário do governo. Ao viajar para consolar a cunhada, que vive uma crise no casamento devido à infidelidade do marido, ela conhece o conde Vronsky (Aaron Johnson), que passa a cortejá-la. Apesar da atração que sente, Anna o repele e decide voltar para sua cidade. Entretanto, Vronsky a encontra na estação do trem, onde confessa seu amor. Anna resolve se separar de Karenin, só que o marido se recusa a lhe conceder o divórcio e ainda a impede de ver o filho deles.

Comentário:
Anna Karenina é uma poderosa história de amor que acaba escondida atrás de um filme onde o contexto visual e a parte técnica sobressaem. Sem falar na direção igualmente belíssima do competente diretor inglês Joe Wright, também responsável pelos igualmente importantes: Desejo e Reparação(2007), Orgulho e Preconceito(2005) e Hanna(2011).

Como diz uma frase da celebre obra de Tolstoi “Há tantos romances como há corações”, isso sim é uma verdade universal e a base primordial do roteiro de Anna Karenina. Nem mesmo o forte conteúdo histórico, nem mesmo as boas atuações do elenco ou mesmo a já muitíssima elogiada qualidade técnica da obra conseguem ser tão importantes quanto o grande épico de amor que é abordado no romance entre Anna Karenina (interpretada com muita competência por Keira Knightley) e seu amado Vronsky (Aaron Taylor-Johnson) e também no amor “ainda que de forma sublime e escondida” que seu esposo Alexei (Jude Law em uma atuação minimalista) sente por Anna.

Anna Karenina tem em seu conteúdo uma história de amor onde basicamente poder e paixão são os grandes fios condutores de uma história verdadeiramente hipnotizadora. Na verdade o filme peca pela maneira ousada (em formato) e teatralizada pela qual o diretor optou em realizar a obra.
O grande destaque (e não poderia deixar de ser) é a forma pela qual Anna luta para manter seu tórrido romance com Vrosky. É uma visão incrivelmente avançada para época e também muito forte, sendo essa a grande ligação entre espectador e filme. Por seu amor, Anna enfrenta uma sociedade rígida e deixa de lado um marido poderoso e principalmente seu filho (algo impossível de se pensar quando analisamos as primeiras imagens desse forte relacionamento), mas Anna é capaz de tudo em nome de seu amor e é vista pela sociedade como uma “infratora”, que resumidamente vive quebrando as regras.

Anna Karenina é cinematograficamente um belo filme, com uma direção de arte impecável, além de atuações elogiosas e uma história de amor histórica e universal, que juntos resumem em uma obra que apesar de pouco tocante é extremamente magistral.Trailer Aqui.