Críticas de Filmes

Críticas de Filmes

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Crítica do Filme: Trama Fantasma(2017) ★★★

Trama Fantasma (2017)
Direção: Paul Thomas Anderson



Sinopse: Década de 1950. Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) é um renomado e confiante estilista que trabalha ao lado da irmã, Cyril (Lesley Manville), para vestir grandes nomes da realeza e da elite britânica. Sua inspiração surge através das mulheres que, constantemente, entram e saem de sua vida. Mas tudo muda quando ele conhece a forte e inteligente Alma (Vicky Krieps), que vira sua musa e amante.

Comentário: Aguardei, com muita expectativa, a chegada aos cinemas de "Trama Fantasma", que além de trazer a "marca" do novo filme do diretor Paul Thomas Anderson, é protagonizado por Daniel Day-Lewis e foi indicado a seis categorias no Oscar, inclusive a de melhor filme. 

Já adianto que tenho um grande apreço por dois filmes do diretor, que inclusive estão entre os meus 100 melhores em todos os tempos, e que remetem justamente a fase inicial de sua carreira: Boogie Nights (1997) e Magnólia (1999), que ainda considero ser sua obra prima.  Além desses, Sangue Negro (2007) e O Mestre (2012) também merecem destaque. Já a última obra de PTA, Vício Inerente, ficou devendo, assim como "Trama Fantasma", que também não me convenceu por completo.

O filme, que possuiu um início muito lento, se passa na Inglaterra da década de 1950 e acompanha o estilista Reynolds Woodcock, um personagem egocêntrico, praticamente "insuportável", e que rendeu mais uma brilhante atuação de Daniel Day-Lewis. Apontado como gênio, ele é responsável por vestir a elite britânica e também grandes nomes da realeza europeia. 

Além dele, duas mulheres dividem o protagonismo: Cyril (Lesley Manville), que interpreta sua irmã, e Alma (Vicky Krieps), que se torna sua musa e amante, e que praticamente "rouba" o filme nos seus 40 minutos finai (o ponto alto da obra).  


Além de apresentar ótimas atuações, o filme possui uma história complexa, onde a relação entre os personagens de Woodcock e Alma não é bem clara. Ciúme, inveja, provocação e carência fazem parte de um embate entre os dois. Aos poucos, Alma entra na vida de Woodcock e deixa de ser apenas uma "modelo" para se tornar parte fundamental dele. E é através de uma grande reviravolta, que ela testa os limites de Woodcock e toma as rédeas de uma relação cada vez mais doentia. 

"Trama Fantasma" é um filme difícil de se explicar. Ele mexe com as emoções, e também a paciência do espectador, se tornando uma obra para um público seleto. Vale destacar a qualidade técnica e a estética do filme, simplesmente irretocáveis. Mas posso resumir o filme como a história de um homem poderoso, e controlador, que passa a ser desafiado, e controlado, por Alma, uma jovem que de inocente só tem a cara. 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Crítica do Filme: Eu, Tonya (2017) ★★★★★

                                                                                                         😍 #15 Visto em 14/01/2018


Eu, Tonya (2017)
Direção: Craig Gillespie


Sinopse: Desde muito pequena exibindo talento para patinação artística no gelo, Tonya Harding (Margot Robbie) cresce se destacando no esporte e aguentando maus-tratos e humilhações por parte da agressiva mãe (Allison Janney). Entre altos e baixos na carreira e idas e vindas num relacionamento abusivo com Jeff Gillooly (Sebastian Stan), a atleta acaba envolvida num plano bnte a preparação para os Jogos Olímpicos de Inverno de 1994. Baseado em fatos reais.

Comentário: "Eu, Tonya" aborda um dos episódios mais controversos da história do esporte nas últimas décadas. Em 1994, às vésperas dos Jogos Olímpicos de Inverno, a patinadora Nancy Kerrigan, uma das favoritas ao Ouro olímpico, é agredida com um bastão, por mando de sua principal rival no país, Tonya Harding.  A história, que termina com Kerrigan levando a medalha de prata nos Jogos de Inverno, começou no dia 6 de janeiro, quando ela teve seu joelho acertado por um homem com um bastão enquanto saía de um treino pré-seletiva americana. 

Ao invés de focar no notório episódio, a agressão, o filme surpreende ao acompanhar todo o caso sob a perspectiva de Tonya Harding, a suposta criminosa. E apesar de ser baseado em um fato real, surpreende o espectador a todo momento. Com isso, consegue se firmar como um dos melhores e mais importantes filmes de 2017, graças a três pontos fundamentais: a direção de Craig Gillespie, que anteriormente só havia realizado filmes irregulares, como a fraca refilmagem de A hora do Espanto (2011) e Horas Decisivas (2016); a originalidade e genialidade do roteiro escrito por Steven Rogers, que proporciona cenas memoráveis e torna o episódio em uma "comédia dramática de primeira classe" e as exuberantes e irretocáveis atuações de Margot Robbie, que merece ser indicada ao Oscar da categoria, e Alisson Janney, vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante e favoritíssima, com todos os méritos, ao Oscar.

"Eu, Tonya" se firma como um um dos filmes essências da temporada 2017/2018 ao conseguir conquistar e impactar o espectador com ótimos personagens, cenas marcantes e muita originalidade. Como, por exemplo, quando utiliza o artifício de "quebrar a quarta parede", isto é, quando o personagem fala diretamente para o público. 

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Os Melhores Filmes de Tim Burton

                                                                                                    ❤❤❤ Filmes Vistos/revistos durante 2017


São tantos os filmes que ainda tenho que ver (ou rever), que fui obrigado a fazer um planejamento mensal para me direcionar. Como tento assistir ao menos um filme por dia, resolvi em algumas semanas ver (ou rever) toda obra de Tim Burton, apesar de não ser um grande fã do cineasta.

Não pretendo aqui fazer uma biografia muito aprofundada de sua carreira nem analisar todos os filmes, mas apenas pincelar meu ponto de vista sobre suas obras mais importantes.Só para relembrar um pouco à carreira e as tendências do diretor, Tim Burton começou na animação trabalhando nos estúdios Disney e desde a sua infância, sempre teve uma paixão e foi influenciado pelos filmes de horror, que homenagearia mais tarde em dois dos seus melhores trabalhos Ed Wood(1994) e A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça(1999).


Bem, minha viagem pelas obras de Tim Burton começou pelo começo. Como nunca tinha visto, assisti a estreia do diretor em As Grandes Aventuras de Pee-Wee, um filme fraco e esquisito. Não precisei rever doistrês filmes que, por acaso, tinha revisto nos últimos anos. O divertido Os Fantasmas se Divertem(1988) (a primeira grande obra de Tim Burton)  e Edward Mãos de Tesoura(1990), que para muitos é sua obra prima.

Após o estouro cinematográfico em sua carreira, Tim Burton se aventurou no mundo do homem-morcego, dirigindo Batman(1989) e Batman, o Retorno(1992). Bons filmes que marcaram ainda mais as características visuais do diretor.

Sempre caminhando ao lado da comédia, ou do humor negro, em 1996 o diretor resolve se aventurar no irregular (mas divertido) Marte Ataca, que apesar de possuir ótimas piadas e um elenco de peso (Jack Nicholson e Glenn Close) foi um filme incompreendido. Mas sem dúvida alguma um bom entretenimento (apesar de reconhecer que é bem bizarro).

Fechando os anos 1990 Tim Burton dirigiu A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça(1999), usando uma direção de arte perfeita e uma história clássica dos Estados Unidos. Mas seu grande filme na década foi sem dúvida alguma Ed Wood (1994), biografia do dito pior diretor de todos os tempos. E após a revisão, a obra se torna apaixonante. Seja pelo uso do preto e branco, pela conjunção de drama e humor, ou mesmo a atuação marcante e inesquecível de Martin Landau (premiado com o Oscar) na pele de Bela Lugosi. Ed Wood é um filmaço, ri e me emocionei em vários momentos.


Já nos últimos anos, Tim Burton conseguiu reunir duas grandes obras e seus piores filmes. Nessa revisão, aponto Peixe Grande e suas histórias maravilhosas(2003) como a obra prima de sua carreira. Principalmente por reunir os principais elementos que o caracterizam dentro da expressão “cinema de autor”, e que se tornaram marcantes ao longo de sua carreira: uma direção de arte esplendida, histórias com elementos de fantasia e personagens mágicos.

Outra grande obra do diretor é o ótimo Sweeney Todd(2007),  um musical toda estilizado e que conta com uma atuação marcante de Johnny Depp. E quanto aos piores? Não posso deixar de mencionar A Fantástica Fabrica de Chocolate(2005) e Alice no País das Maravilhas(2010).

E no meio de tantas obras revi O Planeta dos Macacos(2001), uma refilmagem ainda que inferior ao grande clássico de 1968, que além de ser um dos mais importantes filmes de todos os tempos no gênero, está na minha lista de prediletos. Confesso que nessa revisão entendi melhor o filme e as intenções do diretor. Entendo, por exemplo, que Tim Burton não quis fazer um remake e sim dar uma nova “roupagem” a obra literária de Pierre Boulle, mesmo considerando a versão de 1968 bem superior(principalmente pelo excepcional e inesquecível final), mas acho que Tim Burton pelo menos ousou em fazer algo diferente(mesmo não dando tão certo).  

E mais recentemente Tim Burton dirigiu Sombras da Noite (2012), Frankenweenie (2012), Grandes Olhos (2014) e O Lar das Crianças Peculiares (2016). 


Confira os 7 melhores filmes de Tim Burton:




1) Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas (2003) ★★★★
(Obra Prima)























2) Ed Wood (1994) ★★★★









3) Edward Mãos de Tesoura (1990) ★★★★





















4) Os Fantasmas se Divertem (1988) ★★★





 5) Sweeney Todd (2007) ★★★























6) A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça(1999) ★★★








7) Batman:O Retorno (1992) ★★★



















Vale a Pena Conferir:
Grandes Olhos (2014) ★★★
Sombras da Noite (2012) ★★★
A Noiva Cadáver (2005) ★★★
O Planeta dos Macados (2001) ★★ 
Marte Ataca! (1996) ★★★
Batman (1989) ★★★


Pior Filme do Diretor:
As Grandes Aventuras de Pee-wee (1985) 💣

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Crítica do Filme: Me Chame Pelo seu Nome (2017) ★★★★

                                                                              😍 #14 Visto em 14/01/2018
Me Chame Pelo Seu Nome (2017)
Direção: Luca Guadagnino
 

Sinopse: O sensível e único filho da família americana com ascendência italiana e francesa Perlman, Elio (Timothée Chalamet), está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana. Mas tudo muda quando Oliver (Armie Hammer), um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai, chega.

Comentário: Após assistir "Me Chame Pelo Seu Nome", fica bem claro porque o filme é apontado como um dos melhores e mais importantes de 2017, e da "Temporada de Premiações". A obra, que é baseada no livro do escritor americano André Aciman, teve o roteiro escrito pelo renomado James Ivory (Maurice/ Uma Janela para o Amor/ Retorno a Howards End e Vestígios do Dia), e é dirigido pelo cineasta italiano Luca Guadagnino, que possui em sua filmografia o também polêmico "100 Escovadas antes de Dormir" (2005)***. Poético, sexy, singelo e dono de atuações poderosas e conduzido com maestria por Guadagnino, a obra é simplesmente imperdível. Um dos filmes essências da temporada 2017/2018.

Ambientado no interior da Itália, o filme acompanha a intelectual família do jovem Elio (Timothée Chalamet),que recebe a visita de um acadêmico (Armie Hammer) para contribuir nas pesquisas históricas desenvolvidas pelo seu pai (Michael Stuhlbarg em uma grande atuação). Criado em um ambiente de consciência artística e cultural, Elio lê com frequência, toca piano e sabe um pouco de tudo. Mas ainda assim, possui todas as dúvidas de um jovem.

A medida que o filme se desenvolve, a tensão sexual entre Elio e Oliver aumenta, e o filme se torna cada vez mais interessante. O que mais me agrada é justamente isso. O clima. A forma até certo ponto despretensiosa com que o diretor conduz a história, os personagens. Alias, que personagens. O filme é realmente poderoso, assim como as atuações de Timothée Chalamet e Armie Hammer, que na minha opinião é a mais premiável do elenco. 


Resumidamente, posso afirmar que o filme me proporcionou uma das melhores sessões cinematográficas dos últimos anos. Uma sessão de muita imersão na historia e nos personagens. Além disso,a obra me lembra um dos meus filmes prediletos: Morte em Veneza. Dirigido por Luchino Visconti em 1971, a tensão sexual era sempre presente e o cenário parte da história.  

Posso facilmente definir Me Chame Pelo Seu Nome como um dos mais importantes filmes dos últimos anos. Não somente/ou pela temática, mas também pela forma que aborda a primeira paixão, a entrega ao amor e a relação entre um jovem comum (que dança, ri, chora, erra e acerta) com sua família, que sempre o apoia e contribui para o seu crescimento intelectual e emocional.  


Crítica do Filme: The Square: A Arte da Discórdia (2017) ★★1/2

                                                                                                 😞  #13 Visto em 14/01/2018

The Square: A Arte da Discórdia (2017)
Direção: Ruben Ostlund
 💔

Sinopse: Um gerente de museu está usando de todas as armas possíveis para promover o sucesso de uma nova instalação. Entre as tentativas para isso, ele decide contratar uma empresa de relações públicas para fazer barulho em torno do assunto na mídia em geral. Mas, inesperadamente, isso acaba gerando diversas consequências infelizes e um grande embaraço.

Comentário: The Square: A Arte da Discórdia é confuso e irregular. E posso garantir que, apesar de ser o surpreendente vencedor do Palma de Ouro no último Festival de Cannes, a abordar, através de várias "enquetes", importantes discussões, não é uma obra bem definida. Não é um filme pronto. Ele levanta vários questionamentos, mas não se preocupa em tentar responder.

O filme basicamente aborda três temas: a confiança, o que é arte e quais os limites da arte? E tenta, ao longo de 2h22 minutos, responder a essas pergunta, mas, como é comum em inúmeras obras ultimamente, opta por um final aberto e subjetivo, jogando para o público a possível conclusão para tudo que é construído na tela. E o resultado final só não é decepcionante em razão do ótimo personagem interpretado por Claes Bang, além das surpresas presentes no roteiro.



The Square é dirigido por Ruben Ostlund, diretor sueco que possui em sua filmografia o ótimo Força Maior (2014) ****. Posso até afirmar que o filme é bem conduzido e consegue captar a atenção do seu espectador com cenas bem construídas. Sempre unindo humor, imprevisibilidade e uma acidez crítica. Mas o espectador fica naquela. O que é isso que estou assistindo? O que vem depois?  The Square é praticamente um filme interativo, assim como a principal obra presente no museu sueco de arte contemporânea, o contestado quadrado da confiança de uma artista chilena.   

Instalações, performances, limites, a sociedade contemporânea, o preconceito, o poder da internet e o avanço da mendicância na Suésia. Tudo é abordado de forma satírica ao longo da obra. Algumas me fizeram gargalhar, outras causaram indignação. Já a direção de Ostlund é praticamente irretocável, assim como as atuações, mas não posso dizer o mesmo do roteiro. Falho, confuso e sem um fechamento digno do restante da obra. Mas talvez o grande mérito da obra seja a qualidade dos personagens coadjuvantes: um garoto acusado injustamente, uma jornalista apaixonada, o homem-macaco e um espectador com síndrome de Tourette.

The Square faz rir e pensar e, definitivamente,  vale a pena ser visto. Nem que seja para você se decepcionar, apesar de não considerar o filme uma decepção. Além de premiado em Cannes, o filme foi indicado ao Globo de Ouro na categoria de melhor filme estrangeiro e é um dos favoritos ao Oscar 2018.


Crítica do Filme: O Destino de uma Nação (2017) ★★★

                                                                                          😏  #12 Visto em 13/01/2018
O Destino de uma Nação (2017) 
Direção: Joe Wright 



Sinopse: Winston Churchill (Gary Oldman) está prestes a encarar um de seus maiores desafios: tomar posse do cargo de Primeiro Mnistro da Grã-Bretanha. Paralelamente, ele começa a costurar um tratado de paz com a Alemanha nazista que pode significar o fim de anos de conflito.

Comentário: Vou começar minha análise com uma polêmica. Não só acho o filme Churchill, também lançado em 2017, melhor que O Destino de uma Nação, como também considero a atuação de Brian Cox, muito superior a de Gary Oldman. E não é só isso. Churchill é melhor em vários aspectos: desenvolvimento/condução da história, nas atuações do elenco de apoio e tecnicamente. Se ainda não viu,assista.  

O Destino de uma Nação aborda a posse de Winston Churchill como Primeiro Ministro da Grã- Bretanha em plena Segunda Guerra Mundial. Entre os conflitos presentes na obra: a já célebre personalidade difícil de Churchill, as incertezas das ações militares, uma eminente invasão por parte da Alemanha e a retirada de 300 mil homens encurralados em Durquerque, no litoral da França. Outro episódio também abordado em um dos mais importantes filmes do ano, Dunkirk, dirigido por Christopher Nolan, e destacado na Temporada de Premiações.

Me desculpa por tornar a crítica de Churchill uma crítica comparativa, mas é inevitável. Apesar de respeitar o diretor Joe Wright, confesso que não me agrada tanto a forma que conduz suas obras. E considero sua filmografia irregular, tento bons momentos (Desejo e Reparação/ Hanna), e outros completamente decepcionantes ( O Solista/ Peter Pan). Além disso, a versão de Clemmie Churchill, protagonizada por Miranda Richardson, em Churchill, é muito superior a atuação de Kristin Scott Thomas. 

A tensão, a história, a atuação, a versão do rei George VI, tudo em Churchill (2007) é muito superior ao O Destino de uma Nação. Isso é muito evidente para mim. Mas voltado ao Destino de Uma Nação, acho que o diretor Joe Wright falha em alguns momentos, deixando o filme desinteressante, principalmente por apostar em incontáveis discursos do persoagem principal.

Em relação a atuação de Gary Oldman, uma das mais premiadas de 2017, inclusive vencendo o Globo de Ouro de melhor ator e se tornando favoritíssimo ao Oscar da categoria, ela é crescente. Não me impressionou muito no começo (em razão com a inevitável comparação com Cox), mas nos 40 minutos finais, não só o filme melhora consideravelmente, valorizando os embates entre os personagens, como a atuação de Oldman, que definitivamente garante ser uma das melhores atuações do ano. E impressiona como o ator está irreconhecível. E afirmo, entre os possíveis indicados ao Oscar, apesar de ainda não ter visto Daniel Day-Lewis e Tom Hanks, o seu trabalho é muito superior aos outros concorrentes. 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Crítica do Filme: Artista do Desastre (2017) ★★1/2

                                                                                                 😐  #11 Visto em 11/01/2018


Artista do Desastre (2017) 
Direção: James Franco

💔

Sinopse: Greg Sestero (Dave Franco) se aproxima do excêntrico Tommy Wiseau (James Franco) após uma aula de atuação e os dois desenvolvem uma intensa amizade ancorada no sonho em comum de fazer sucesso nas artes dramáticas. Juntos eles partem para Hollywood, onde Tommy, cansado de ser rejeitado em testes, decide produzir, financiar, dirigir, escrever e protagonizar - ao lado do melhor amigo - o longa-metragem que o catapultará ao estrelato: "The Room".

Comentário: Apontado como um dos filmes mais importantes de 2017, O Artista do Desastre ganhou destaque na "Temporada de Premiações" devido a atuação de James Franco, que também dirige o filme, e foi recentemente premiado com o Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia/ Musical, vencendo nomes como Hugh Jackman e Steve Carell. Entre os indicados, ficaria com Daniel Kaluuya e Carell. Ele seria apenas minha terceira opção. 

Cinematograficamente o filme não me surpreendeu em nada. Baseado em uma história real, os bastidores do filme "The Room", considerado um dos piores filmes de todos os tempos, e que é tão ruim que acabou se tornando cult, O Artista do Desastre só vale como um "recorte" dos bastidores da obra. Nem engraçado, nem dramático, considero o filme apático. Tão apático quando é a premiada atuação de James Franco, que se resume em apenas uma boa imitação do verdadeiro Greg Sestero. No elenco, além de Franco, estão Dave Franco, irmão do ator, e Seth Rogen.


Crítica do Filme: Jogo Perigoso (2017) ★

                                                                                                                   🙈 #10 Visto em 10/01/2018


Jogo Perigoso (2017) 
Direção: Mike Flanagan 
        
💣
Sinopse:  Jessie (Carla Gugino) e Gerald (Bruce Greenwood) formam um casal em crise. Para salvar o casamento, eles decidem viajar a uma casa isolada, na intenção de passar um fim de semana romântico. O marido leva algemas e decide prender a esposa a cama. Ela hesita a participar do jogo erótico, mas aceita. No entanto, uma vez presa, o marido sofre um ataque cardíaco e morre. Presa à cama, sem ter a quem pedir socorro, Jessie luta pela sobrevivência enquanto se recorda de traumas na infância.

Comentário: Que filme dispensável. Não tenho dúvidas que é um dos piores filmes de 2017. A história é ruim (previsível e mal desenvolvida) e as atuações de Carla Gugino (fraquíssima) e Bruce Greenwood, totalmente canastronas. Os flashbacks, as conversas imaginárias e as "reviravoltas" em nada acrescentam para o crescimento do filme, para o desenvolvimento da narrativa. Sim, Jogo Perigoso é uma grande perda de tempo.

Produzido pela Netflix, o filme é baseado em uma história de Stephen King e dirigido por Mike Flanagan, um especialista no gênero e que possui em sua filmografia o interessante "O Sono da Morte", que recomendo. Mas nem mesmo tantos especialistas no estilo foram capazes de transformar a história original em um bom filme. 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Crítica do Filme: Uma Mulher Fantástica (2017)★★1/2

                                                                                                                       #09 Visto em 06/01/2018

Uma Mulher Fantástica (2017) 
Direção: Sebastián Lelio


 💔

Sinopse:  Marina (Daniela Vega) é uma garçonete transexual que passa boa parte dos seus dias buscando seu sustento. Seu verdadeiro sonho é ser uma cantora de sucesso e, para isso, canta durante a noite em diversos clubes de sua cidade. O problema é que, após a inesperada morte de Orlando (Francisco Reyes), seu namorado e maior companheiro, sua vida dá uma guinada total

Comentário: Uma Mulher Fantástica é, sem dúvida, um dos filmes mais elogiados e premiados de 2017. Além de ser um dos favoritos na corrida pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, foi indicado ao Globo de Ouro na categoria e premiado no Festival de Berlim. Além de ter sido, ao longo do ano, premiado/indicado por associações de críticos de todo o mundo.

Quem conduz a obra é Marina (Daniela Vega), que após a morte súbita de seu companheiro, passa por várias situações envolvendo o preconceito. Esse é o grande conflito do filme. Como Marina irá se posicionar perante as desagradáveis imposições da família do morto, das questões legais e da polícia, que abre uma investigação.

Há também uma questão envolvendo a sexualidade de Marina. Afinal, quem é ela? Mulher, travesti, trans,  é operada? Essas dúvidas surgem na obra, e envolvem o espectador. Causa uma certa repulsa a forma como a família do morto se comporta, tanto nas questões legais (direitos, apartamento, carro e cachorro), como nas imateriais (agressões, diálogos, velório e sepultamento).


Marina é impulsiva. Mas também fala pouco. Age como uma culpada. Evita a polícia, evita o assunto. Isso também é irritante. A falta de dialogo. A forma como enfrenta as situações. Em algumas é impulsiva. Em outras, totalmente passiva. 

Uma Mulher Fantástica apresenta uma interessante abordagem do assunto. Fala do preconceito e da discriminação com propriedade, mas não se aprofunda. Alterna momentos de profundidade e outros de uma superficialidade irritante.  Em resumo, é uma obra irregular. Mas uma na filmografia do diretor chileno Sebatián Lelio, que possui em sua filmografia o elogiado Glória (2013) *** e A Sagrada Família (2005). Se tivesse que escolher qual é melhor, entre Marina e Glória, fico com Glória (se ainda não viu, assista!).