Críticas de Filmes

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domingo, 25 de novembro de 2012

Crítica do Filme: Magic Mike **1/2

Direção: Steven Soderbergh
Gênero: Drama
Elenco: Channing Tatum, Matthew McConaughey, Alex Pettyfer, Olivia Munn, Cody Horn.

Quando fui ver Magic Mike não esperava que fosse encontrar a grata surpresa com que acabei me deparando, especialmente depois dos últimos filmes de Soderbergh que foram obras vazias ou no mínimo irregulares, como Contágio (2011) ou o horrível “A Toda Prova(2012). Lembro que Steven Soderbergh, que tem em sua carreira momentos que beiram a genialidade, dirigiu também o ótimo Traffic(2001) – meu filme predileto de sua filmografia – além dos competentes Erin Brokovich(2000) e Irresistível Paixão(1998), e que infelizmente ao longo dos últimos anos vem acumulando altos e baixos em sua já extensa filmografia.

Magic Mike conta a história do experiente stripper Mike, vivido pelo irregular Channing Tatum – e que acabou me surpreendendo com uma atuação franca e de grande capacidade corporal, principalmente nas hipnotizantes cenas de dança –, que passa a ensinar seus conhecimentos ao jovem Adam (o apático Alex Pettyfer). Com o tempo, Adam passa a trilhar seu próprio rumo na nova carreira e se perde cada vez mais meio a bebedeiras, sexo e muitas drogas, tudo sobre a supervisão de sua preocupada irmã, Brooke (a também passiva Cody Horn). 
Outro ponto interessante do filme é que grande parte da ação se passa dentro de um clube de Stripper masculino – aqui no Brasil chamado de Clube das Mulheres –, que é gerenciado por Dallas( Matthew McCounaghey), que tem mais uma elogiada atuação na pele desse grande “mestre dos palcos”, que apesar da sobressalente idade, ainda tenta pregar suas filosofias na arte de dançar com sedução. É bom citar que  McCounaughey vem acumulando nos últimos anos elogiadas atuações, como nos surpreendentes O Poder e a Lei (2011), Tudo por Dinheiro(2005) e o próprio Killer Joe (2012), que apesar de ser um filme fraco, sua atuação arrancou elogios da critica. E se não fosse à mágica presença de Channing Tatum em Magic Mike, Matthew teria roubado o filme e jogado os holofotes sobre sua atuação.

Com a direção firme de Soderbergh e uma fotografia quente como o filme, Magic Mike mantém durante quase todo tempo um ritmo poderoso, que cresce ainda mais nas muito bem coreografadas cenas de dança e que só falha na tentativa frustrada de criar um romance entre Mike e Brook, o que acaba fugindo da “espinha dorsal” do roteiro que é resumidamente os bastidores da vida de um Stripper e a questão moral por trás de uma ilusória felicidade financeira. 

Outros pontos negativos são as atuações irregulares do elenco e a falta de profundidade do roteiro em relação a eles , pois enquanto Channing Tatum e McCounaughey se destacam Cody Horn, Alex Pettyfer, e o restante do elenco de apoio não se desenvolvem, sendo possível ver a total incapacidade de Kevin Nash, interpretando um stripper denominado Tarzan, que visivelmente não consegue acompanhar as inventivas coreografias protagonizadas.

Apesar de ser uma obra irregular, ainda assim recomendo Magic Mike pela grande recompensa que é assisti-lo, pois apesar do tema principal envolver o submundo dos clubes de strippers e o alto consumo de bebidas e drogas dos personagens envolvidos ,ainda assim o resultado final é leve e pouco chocante, ao contrário, entretém e ilumina aos olhos com as já descritas cenas de dança e principalmente as atuações de Channing Tatum e Matthew McCounaghey.

Possíveis Indicações no Oscar: Melhor Ator Coad.(Matthew McCounaghey).
Trailer Aqui

sábado, 24 de novembro de 2012

Crítica do Filme: Moonrise Kingdom (2012)***1/2

Direção: Wes Anderson
Gênero: Comédia Dramática
Elenco: Bruce Willis, Frances Mcdormand, Bill Murray, Edward Norton, Tilda Swinton, Jared Gilman, Kara Hayward, Jason Schwartzman.
Novamente o diretor americano Wes Anderson surpreende, e mais uma vez surpreendeu com um filme inteligente, divertido e que encanta aos olhos do espectador com seus enquadramentos fantásticos, sua direção de arte e cenários esplêndida e acima tudo, diálogos corrosivos e inteligentes, sua marca registrada.

Para quem não conhece muito a carreira desse “jovem diretor” – mas elogiadissimo –, ele foi responsável por filmes cultuados, premiados e principalmente, conseguiu imprimir uma marca registrada em sua forma de filmar, coisa rara nos dias de hoje. Suas produções têm um visual arrebatador – lembra a longa vista, Pedro Almodóvar no uso de cores “quentes” –, seus diálogos são fantásticos e ágeis – lembrando um pouco o mestre Woody Allen – e outra característica de um grande diretor, trabalha quase que sempre com o mesmo elenco, como os renomados Bill Murray, Frances Mcdormand, Jason Schwartzman, Owen Wilson, além de utilizar roteiros próprios – ou em parceria com Roman Coppola – e que são facilmente associados ao seu método de trabalho. 

Entre os mais renomados filmes do diretor estão a ótima animação “O fantástico Sr. Raposo”, o seu filme mais premiado ,“Os Excêntricos Tenenbaums”, sua revelação para o mundo do cinema, “Três é Demais”, e também o cultuado Viajem a Darjeeling. Acho importante citar que de forma alguma sua carreira é uma unanimidade, ao contrário, seus filmes dividem opiniões e com certa regularidade acaba “errando a mão”, como no incompreendido e “esquisito” – característica dada a seus filmes – “A Vida Marinha de Steve Zissou”.

Em Moonrise Kingdom – cotado para o Oscar de melhor filme –, o diretor volta ao verão de 1965 para contar a inusitada história de dois jovens incompreendidos e pouco convencionais, que após se apaixonarem e trocarem inusitadas cartas de amor resolvem fugir juntos. O casal é composto por Sam( Jared Gilman) – um premiado escoteiro que foge de seu acampamento– e a jovem Suzy ( Kara Hayward), filha de um casal em crise ( Bill Murray e Frances Mcdormand), que ao lado da policia local (Bruce Willis), o escoteiro chefe Ward (Edward Norton), uma assistente do serviço social( Tilda Swinton) e praticamente todos escoteiros da ilha, fazem de tudo para encontrá-los. Isso meio a uma violenta e histórica tempestade, e que acaba fazendo toda já complicada situação seguir rumos cada vez mais estranhos e surpreendentes.

O Filme possui ainda como grande atrativo as atuações de todo elenco – se destacando o segmento infantil de maneira excepcional –, além de uma montagem ágil que utiliza de elementos externos (fotos, mapas, depoimentos) para compor e dar vida a sua história, sem falar na irretocável fotográfia  e seus personagens inteligentes e como sempre complexos, sendo eles responsáveis por diálogos maduros e alguns momentos memoráveis. E foi um pouco de tudo isso que citei que me fez ficar encantado com Moonrise Kingdom, principalmente os aspectos relacionados ao roteiro e a direção de Wes Anderson, e por vezes o filme transmutar entre divertido e emocionante, não tendo como negar sua grande qualidade técnica e a enorme capacidade do diretor em contar de maneira diferenciada uma ótima história. O grande diferencial do filme em relação aos outros grandes filmes do ano é que Moonrise Kingdom é verdadeiramente apaixonante, assim como seus personagens e a bela história de amor que nos conduz pelo filme.

Possíveis Indicações no Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro,  Direção de Arte e Fotografia.
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