Críticas de Filmes

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sábado, 27 de agosto de 2016

Negócio das Arábias (2016) **

Direção: Tom Tykwer
Elenco: Tom Hanks, Alexander Black, Sarita Choudhury

Comentário: Negócios das Arábias se resume a Tom Hanks, simplesmente isso. Existe ator mais carismático que Tom Hanks? Exageros à parte, seu carisma é enorme, assim como sua capacidade de se adaptar a certos roteiros. E pensando no filme, apesar de fraco, Hanks conduz seu personagem com todos os méritos possíveis. Então foi uma atuação premiável? Que nada. Muito longe disso. Mas te garanto que foi realizada com a competência de sempre.

O filme é muito estranho. Começando pela direção de Tom Tykwer, diretor que ganhou notoriedade com o ótimo “Corra, lola, Corra (1998)****, mas que depois não realizou nada de bom, inclusive ao se envolver com os irmãos Lana e Lilly Wachowski, realizadores de “Matriz”(1999)*****, no decepcionante “A Viagem”(2012) – outro filminho esquisito!

Negócio das Arábias é basicamente uma comédia, repleta de boas intenções, mas que possui um roteiro confuso e mal desenvolvido. O filme até que conseguiu prender minha atenção, mas quase que considerei a ocasião uma pura perda de tempo.

Tom Hanks interpreta um negociante falido que procura recuperar suas perdas financeiras em um grande negócio na Arábia Saudita, especificamente, envolvendo uma transação com o monarca local, que está construindo um enorme complexo no meio do deserto.

Mas tudo dá errado. O rei não aparece e o seu personagem vai se envolvendo em um emaranhado de situações surreais. É o típico filme que aposta na situação de um “peixe fora d’água”, assim como o excelente “Encontros e Desencontros”, filme dirigido por Sofia Coppola, protagonizado por Bill Murray, mas com resultado excelente. Algo muito diferente dessa obra.

Negócio das Arábias tem romance, drama, comédia, algumas cenas engraçadas e outras nem tanto. É uma obra sobre autoconhecimento, redescobertas, diferenças culturais e uma pitada de ironia. O resultado final funciona? É claro que não. Não chego a recomendar que assista, mas “cá entre nós”, vai que você acaba gostando.

sábado, 31 de outubro de 2015

Crítica do Filme: Ponte do Espiões (2015) ***

Direção: Steven Spielberg
Elenco: Tom Hanks, Mark Rylance, Alan Alda.

Sinopse: Em plena Guerra Fria, o advogado especializado em seguros James Donovan (Tom Hanks) aceita uma tarefa muito diferente do seu trabalho habitual: defender Rudolf Abel (Mark Rylance), um espião soviético capturado pelos americanos. Mesmo sem ter experiência nesta área legal, Donovan torna-se uma peça central das negociações entre os Estados Unidos e a União Soviética ao ser enviado a Berlim para negociar a troca de Abel por um prisioneiro americano, capturado pelos inimigos.

Meu Comentário: Como estamos no meio da “temporada de premiações” – época do ano em que os estúdios e produtoras lançam seus mais importantes filmes objetivando que eles estejam entre os finalistas das principais premiações do ano (Globo de Ouro, Sags e prêmios da crítica), e onde o “gran Finale” é a cerimônia de premiação do Oscar. Já é de se imaginar toda a expectativa em torno de Ponte dos Espiões, filme que é simplesmente dirigido por Steven Spielberg – um dos mais importantes (e populares) diretores da história do cinema –, e protagonizado por Tom Hanks, um dos mais premiados (e populares) atores de sua geração. Mas para ser franco, apesar do filme não ser uma decepção, me decepcionei.

Inspirado em fatos reais, Ponte dos Espiões como o próprio título já alerta, é uma obra sobre espionagem, mas uma espionagem séria, não “aquela” espionagem” que é exaltada em filmes de ação como 007, Missão impossível e Kingsman. Na realidade, ele se assemelha em gênero e número, mas não em grau a dois elogiados filmes dos últimos anos:  O espião que sabia demais (2011) e O Homem mais procurado (2014). Duas obras que possuíam várias virtudes, entre elas suas atuações, mas honestamente, achei as duas enfadonhas.

Em se tratando dos últimos filmes de Spielberg, confesso que já esperava um filme também burocrático, assim como foi Lincoln (que sinceramente não gostei). Mas não, Ponte dos Espiões me surpreendeu pelo seu ótimo ritmo e um roteiro extremamente bem-humorado, e que apesar da temática séria, o consegue fazer com que a história transcorra de forma harmônica e singela, e não deixando de ser interessante para o seu espectador. 

Com sua ação se passando durante a Guerra Fria, mais precisamente em 1957, e como não poderia deixar de ser, sua parte técnica é irretocável, assim como a segura direção de Spielberg. E não posso deixar de elogiar a excelente fotografia do filme, que em alguns momentos é utilizada para causar um desconforto tanto nos personagens quanto no seu espectador (cenas onde a luz “sobressai” na tela).

A essência do filme gira em torno da dicotomia entre Patriotismo e constituição. Quem está acima de quem? A nação é mais importante ou as leis que a regem? Aliás, quem rege quem. Esses questionamentos são a base de toda ação que ocorre em Ponte dos Espiões, uma vez que o personagem de Tom Hanks é um advogado idealista e que é colocado a prova quando tem que tomar algumas medicas consideradas “contra os interesses da nação”, no caso, os Estados Unidos.

Também destaco a atuação de Mark Rylance, que sinceramente, me surpreendeu no papel de Rudolf Abel, o suposto espião soviético defendido pelo personagem de Hanks.

Um dos momentos mais icônicos do filme é quando o personagem James Donovan (Tom Hanks), já em território alemão para negociar uma troca entre presos de guerra, e após várias atitudes ousadas e desafiadoras em relação a alemães e soviéticos, vê um grupo ser exterminado ao tentar cruzar o muro que recém separava a Berlin Oriental da Ocidental. Nesse momento, Donovan percebe que por mais que sua guerra seja de informações, por trás de tudo aquilo, havia uma guerra de verdade e onde as pessoas eram mortas de forma banal.

Ponte do Espiões como já havia dito: não chega a decepcionar, mas decepciona. A minha frustração é mais em razão dos nomes envolvidos e do tema (Spielberg, Tom Hanks e guerra), do que do resultado final da obra. E sinceramente, não consigo imaginar o filme participando das principais premiações da temporada de prêmios, e onde somente o credenciaria por sua qualidade técnica (principalmente sua fotografia). Ponte dos Espiões não é nada mais do que um bom filme, simplesmente isso.



Crítica do Filme no meu canal do Youtube:
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