Críticas de Filmes

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sábado, 26 de novembro de 2016

Crítica: “A Chegada” é uma hipnotizante e reflexiva jornada pela comunicação (2016) ****

Direção: Denis Villeneuve
Elenco:  Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker

Sinopse: 12 naves alienígenas pousam na Terra e ficam incomunicáveis. Após isso, militares dos Estados Unidos procuram a Dr.Louise Banks, uma renomada linguista, para tentar se comunicar e descobrir as reais intenções dos “visitantes”. Enquanto a humanidade está a beira de uma guerra mundial, Banks e sua equipe correm contra o tempo em busca de respostas. 

👽Meu Comentário: “A chegada” é indubitavelmente um dos melhores filmes de 2016. Além do mais, é inegável que é uma das mais importantes obras de ficção científica dos últimos anos,  facilmente comparável a clássicos do gênero como “2001- Uma Odisséia no Espaço”, “Interestelar” e “Contato”. Muito em razão de se tratar de uma jornada pela história da humanidade através do desconhecido. E também pelos oportunos contrapontos retratados na obra. Presente e futuro. Humanas e exatas. Razão e emoção. Desenvolvimento e conhecimento. Complexidade e simplicidade. Efêmero e infinito. Amor e perda. Na realidade, eu gosto muito mais da ideia central do filme, do que da forma que a história é concluída. 

O filme é baseado no premiado conto “Story of your life”, de Ted Chiang. Mas ainda assim, a abordagem dada pelo roteirista Eric Heisserer, e pela magnífica direção de Denis Villeneuve, tem toques de genialidade e originalidade. Mas com uma ressalva, incomoda a forma como o filme tenta fazer com que o espectador se sinta “perdido”, simplesmente por não compreender toda a história proposta, fato também presente no excelente “Interestelar”. Mas que analisando os dois filmes, ainda prefiro a magnífica viagem proposta por Christopher Nolan.


Apesar de deixar “alguns fios soltos”, principalmente na cabeça do espectador, “A Chegada” ainda assim é um acerto. E além de tudo, possui um visual fantástico. E grande parte desse resultado é em razão da ótima premissa e do desenvolvimento dado pela direção de Denis Villeneuve, que vem se consolidando como um dos melhores diretores revelados nos últimos anos, com importantes obras em sua filmografia, como o irretocável “Incêndios”, e também os competentes “Os Suspeitos” e “Sicario: Terra de Ninguém”.  

Outro ponto a favor do filme é a combinação de um ritmo alucinante com momentos contemplativos. Sem falar nas impactantes cenas de suspense, que só contribuem para criar no espectador um clima de ansiedade e de uma viagem rumo ao desconhecido. Assim como acontece com os personagens da Dr. Louise Banks e Ian Donnely. 


Outro destaque é a atuação de Amy Adams, que já a coloca na briga por uma indicação ao Oscar de melhor atriz. Já Jeremy Renner e Forest Whitaker, são meros personagens coadjuvantes e alegorias para o principal elemento do filme, a personagem Louise Banks,  responsável pela condução, desenvolvimento e conclusão da obra. E a partir dela, tenta responder o seguinte questionamento: Por que eles estão aqui?

A Chegada é reflexivo, profundo e questionador. Mas ainda assim, consegue unir história pessoal com um enredo abrangente. E tematicamente, aborda essencialmente a importância da “comunicação”. E apesar de retratar uma “invasão mundial”, de grandes proporções, se trata de um filme muito intimo. Onde a solução para todo o mistério é muito mais simples do que se imagina. Na realidade, estamos diante de um filme hipnótico, um verdadeiro “quebra-cabeça” não-linear, daqueles que te prendem a atenção do começo ao fim, mas ao final, pode não te satisfazer completamente.