Críticas de Filmes

Críticas de Filmes
Mostrando postagens com marcador Filmes do Oriente Médio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filmes do Oriente Médio. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de dezembro de 2012

Crítica do Filme: Caramelo (2007) **1/2

Direção: Nadine Labaki
Gênero: Comédia Dramática
Elenco: Nadine Labaki, Rodney El Haddah, Jinah Hojeily, Joanna Moukarzel.
Fato recorrente nas obras de Nadike Labaki, o universo feminino e suas complexidades é a grande atração desse primeiro filme da diretora, e que acabou conquistando platéias de todo mundo e vencendo importantes festivais de cinema com seu roteiro que une de maneira tocante, um pouco de comédia com sensíveis dramas pessoais.

Abordando o cotidiano de um salão de beleza, Nadine Labaki, adentra de maneira objetiva a vida de cinco mulheres e seus questionamentos: Layale (Nadine Labaki), amante de um homem casado e que sonha com o dia em que ele se separará; Nisrine (Yasmine Elmasri), que está prestes a se casar mais não é mais virgem e não sabe como contar isto ao noivo; Rima (Joanna Moukarzel), que sente atração por mulheres; Jamale (Gisèle Aouad), que tem medo de envelhecer; e Rose (Sihame Haddad), que abriu mão de sua vida para cuidar da irmã mais velha.

Todo o filme é conduzido de maneira bem singela e direta pelas mãos da diretora e atriz, assim como a atuação do elenco (grande parte amador), que consegue de maneira brilhante garantir o interesse do público e conseqüentemente, sua admiração.

Caramelo é uma obra marcante, sensata, e que mesmo produzida no coração de Beirute(Líbano), foge dos estereótipos e de personagens caricatos (algo muito usual nas primeiras obras de diretores fora do eixo ocidental), para conquistar o espectador com personagens e questões universais, tal como: amor, solidão, encantamento, dúvida e principalmente, verdade.

Crítica do Filme: E Agora, Aonde Vamos? (2012) **1/2

Direção: Nadine Labaki
Gênero: Comédia Dramática
Elenco: Nadine Labaki, Yvonne Maalouf, Claude Baz Moussawbaa, Layla Hakim.
Para quem não conhece o cinema Libanês, a partir dos anos 90 seus cineastas e obras, graças principalmente a centenas de festivais de cinema espalhados pelo mundo, ganharam cada vez mais notoriedade e nos últimos anos de maneira até mesmo concreta, vários de seus filmes são premiados ou acabam conquistando grande repercussão mundial. E entre os cineastas libaneses um nome surge com destaque, é o da bela diretora e atriz, Nadine Labaki, tudo devido à qualidade de suas obras e principalmente ao imenso sucesso que elas fazem com o público e com a crítica, além de já ter sido premiada nos principais festivais do mundo, Cannes e Toronto.

“E Agora, Aonde vamos?” é a segunda obra da diretora, e que antes já havia sido reconhecida com o surpreendente Caramelo(2007).  Uma das características de Nadine Labaki é sempre abordar o cotidiano dos seus personagens, mas com uma visão original e principalmente feminina, resultando em produções que conquistam de maneira avassaladora esse público.

O inusitado roteiro de “E Agora, Aonde vamos?”, fala sobre uma pequena comunidade cujo único elo com o mundo exterior é uma velha ponte cercada de antigas minas terrestres. E como o sinal da TV pega muito mal, são poucas as noticias que chegam e também a relação dessas pessoas com o mundo exterior. E apesar de a comunidade ser dividida religiosamente (entre muçulmanos e católicos), ela vive em adormecida paz, tudo devido às continuas e necessárias intervenções femininas (grande alma do filme). Mas quando uma série de acontecimentos desencadeia a divisão da vila e conseqüentemente o iminente conflito entre os homens, as mulheres novamente se destacam dentro da história ao utilizarem inusitadas (e engraçadas) formas de manter e reaver a tranqüilidade na comunidade, chegando até mesmo a extremas ações que as fazem superar seus dramas pessoas, convicções e até sua religiosidade, demonstrando uma grande riqueza desses personagens. Outro fato interessante é que “volta e meia”, algum numero musical surge nas telas, incrementando ainda mais uma obra que poderia ser levada a um “lugar comum”, fato que não acontece.

Religião, diversidade, respeito ao próximo, tudo é abordado de maneira muito coerente e singela por Nadine, e conta ainda com o grande mérito de não escolher um lado da discussão, deixando os julgamentos a cargo do espectador e sobressaindo de maneira clara que o conflito exposto é na realidade uma personificação de qualquer guerra civil pelo mundo e seus impensados atos. E em seu final o filme deixa uma pergunta, e agora, aonde vamos? Pois com os conflitos sociais e guerras eclodindo a todo o momento, fica difícil viver completamente em um ambiente de paz, seja em uma pequena vila meio no meio de uma guerra religiosa ou mesmo em um simples ambiente de trabalho, pois para onde olhamos percebemos diferenças e conflitos sejam eles políticos, religiosos ou passionais.

Nadine conduz tudo de maneira brilhante e a riqueza de seus personagens tornam um filme que poderia ser reconhecido por possuir apenas um roteiro original também uma obra diferenciada, e que se utiliza de seu ótimo ritmo para se tornar uma obra que conquista e levanta questionamentos.

Trailer Aqui

domingo, 11 de novembro de 2012

Crítica do Filme: A Separação (2011) ****

Direção: Asghar Farhadi             Gênero: Drama
Elenco: Leila Hatami, Peyman Moaadi, Shahab Hosseini, Sareh Bayat, Sarina Farhadi, Babak Karimi.
Sem dúvida alguma o filme iraniano A Separação foi um dos mais premiados e elogiados filmes de 2011, vencendo entre outros, o Oscar e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e foi ainda premiado como melhor filme no festival de Berlim, tudo isso o credencia a ser um filme obrigatório para qualquer cinéfilo ou para aquele espectador que busca no cinema, filmes com conteúdo e um roteiro incrivelmente bem escrito. A partir de uma premissa “básica”, a separação do casal Nader( Peyman Moaadi) e Simin (Leila Hatami) – também premiados em Berlim –, acompanhamos uma verdadeira batalha moral, religiosa e porque não, cultural.   
Os conflitos começam quando na falta de alguém para cuidar de seu pai com Alzheimer – após a saída de casa da esposa – Nader contrata uma empregada para ser responsável pelos afazeres domésticos e também cuidar do seu pai. Só que a contratada está grávida e esconde do marido seu emprego, e após um incidente envolvendo os três personagens o filme se torna um “pequeno drama de tribunal” onde a verdade, a ética, a religião e a maneira como o espectador vêem os personagens muda à medida que o filme vai “adentrando” caminhos íntimos e complexos de cada um deles. 
Na simplicidade da direção de Asghar Farhadi, na sinceridade das atuações de todo elenco, e nas intrigantes questões levantadas pelo ótimo roteiro, vemos o quanto A Separação é superior e se destaca na história do cinema recente, mesmo longe dos orçamentos estratosféricos de Hollywood, ou mesmo em um país do qual pouco sabemos – e acabamos percebendo de maneira injusta – é um filme sobre o cotidiano que verdadeiramente, é hipnotizante.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=Dlt6-aDWAVI