Críticas de Filmes

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Crítica do filme: A Luneta do Tempo (2016) **

Direção: Alceu Valença 
Elenco: Irandhir Santos, Hermila Guedes, Alceu Valença

Sinopse: Lampião (Irandhir Santos), sempre acompanhado por sua amada Maria Bonita (Hermila Guedes), lidera seu bando pelo sertão de Pernambuco, enfrentando a polícia local. Seu principal antagonista é Antero Tenente, que foi abandonado preso e de cabeça pra baixo pelo bando de Lampião. Esta disputa permanece com o passar dos anos, quando o filho de Antero torna-se adulto e não aceita qualquer provocação à imagem do pai ou a simples menção a algo que lembre Lampião e seus cangaceiros.

Meu Comentário: Apesar de todos os elogios colhidos pela crítica, “A Luneta do Tempo”, primeiro filme dirigido pelo cantor e compositor Alceu Valença, e que aborda o universo do cangaço, é uma obra irregular. 

O seu primeiro ato, que dá maior ênfase a perseguição do bando de lampião pela volante, comandada pelo antagonista Antero Tenente, é praticamente perfeito. Envolve uma interessante trilha sonora, uma direção criativa de Alceu Valença e diálogos recitados em cordel. 


Mas ao longo de seu desenvolvimento, acaba fracassando em manter o interesse do espectador ao apostar na falta de linearidade de seu roteiro. Saem de cena os interessantes personagens de Lampião e Maria Bonita, bem interpretados por Irandhir Santos e Hermila Guedes, e entra em cena um novo tempo. É justamente nesse momento de transição que o filme falha.



quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Crítica do filme: Pequeno Segredo (2016) ***

Direção: David Schurmann
Elenco: Marcelo Antony, Júlia Lemmertz, Maria Flor, Mariana Goulard, Fionnula Flanagam

Sinopse: O filme aborda três histórias conectadas por um único segredo. Conhecidos por seus cruzamentos marítimos, os Schurmann guardaram por um longo tempo, a comovente história da adoção de Kat. E com isso, centra sua história na infância da menina e na fase em que seus pais biológicos (vividos por Maria Flor e Erroll Shand) se conheceram.

Minha Crítica: “Pequeno Segredo” causou protestos e alvoroço nas redes sociais após ser indicado a representar o Brasil na disputa pelo Oscar 2017, deixando para trás o grande favorito, e meu favorito, Aquarius, filme dirigido por Kléber Mendonça Filho. Apesar de reconhecer sua inferioridade frente a “genuinidade” de Aquarius, o filme apresenta uma grande qualidade técnica e estética. E mesmo não sendo o melhor filme nacional de 2016 é, sem sombra de dúvidas, um dos três melhores. E como se era de imaginar, acabou preterido na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro. 

Baseado na história real da adoção da menina Kat pela família Schurmann, o filme é um comovente drama, com ótimas atuações, e que apesar da direção precisa de David Schurmann, carece de emoção e verdade. Talvez esse seja o grande “defeito” de “Pequeno Segredo”. Sobram qualidades técnicas, mas falta paixão. Mas também reconheço que essa “paixão” esteja de alguma forma presente no filme. Seja na grande atuação de Júlia Lemmentz ou na comovente história de amor que envolve a relação de Kat e seus pais adotivos. Mas ainda assim, a impressão que o filme passa é de distanciamento, superficialidade e sentimentalismo. 


Nessa crítica, também merecem ser destacadas a belíssima fotografia da obra, sua ótima montagem, e claro, a caricata atuação de Fionnula Flanagan. Entretanto, e apesar de tudo, te convido a assistir “Pequeno Segredo”, que merecidamente, faço questão de apontar como um dos melhores filmes nacionais do ano. E antes de assistir, deixe suas questões políticas e ideológicas a parte e julgue o filme pelo que ele é, uma grande história de amor.