Críticas de Filmes

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sábado, 29 de novembro de 2014

Filmes da Semana: Livrai-nos do Mal, The Homesman e O Homem mais Pocurado

Essa semana foi uma correria total, tanto para colocar projetos pessoais em dia quanto na tentativa de assistir ao maior número de filmes possíveis. E dentre as obras assistidas, poucas foram as minhas surpresas. Na realidade, tentei dar preferência a filmes que possuem uma chance ao próximo Oscar, ou que tiveram um grande impacto de público, mas já posso adiantar que colecionei decepções.

Livrai-nos do Mal (2014) **1/2
Direção: Scott Derrickson
Elenco: Eric Bana, Edgar Ramirez, Joel McHale.

Livrai-nos do Mal é mais um dentre tantos filmes de suspense que abordam o tema de possessão. E que ultimamente vêm sendo repetidamente associados a uma questionável veracidade, tudo para atrair um número ainda maior de espectadores.

E o grande problema do filme é a incansável “montanha russa” que é o seu desenvolvimento. A sua primeira metade é realmente hipnotizante, e conseguiu me absorver com uma carga elevada de suspense e algumas cenas realmente impactantes (como a da investigação no zoológico). Já da metade do filme para frente (e onde grande parte dos questionamentos já foi revelado), o filme se torna convencional e segue uma banal previsibilidade. Sem falar na constante presença de situações estereotipadas pelo gênero.

Um dos pontos altos do filme é a boa participação do ator Joel McHale, que confesso não conhecia.  No papel do parceiro de Eric bana, ele realmente rouba algumas cenas com suas frases de efeito cômico.

Livrai-nos do Mal tem a capacidade de conseguir a atenção do seu espectador (o que é mais difícil), e a mesma competência para fazê-lo perceber que o filme é apenas mais um entre vários filmes do gênero.

The Homesman (2014) ***
Direção: Tommy Lee Jones
Elenco: Tommy Lee Jones, Hilary Swank, Grace Gummer,  John Lithgow.

Após três mulheres de uma comunidade remota do Nebraska aparentarem loucura, cabe a solitária Mary Bee Cuddy (Swank), ao lado de um “criminoso” (Tommy Lee Jones), levá-las para o leste do país na tentativa de encontrarem refúgio e uma possível cura.

Segundo filme dirigido por Tommy Lee Jones, o primeiro foi Três Enterros(2005), The Homesman disputou o Festival de Cannes em 2014 sem muito alarde, além de estar cotado para possíveis indicações ao próximo Oscar, principalmente em relação a elogiada atuação de Hilary Swank.

Sinceramente, o filme não conseguiu me cativar logo de começo, foi ao longo do seu desenvolvimento que me fui interessando cada vez mais por seus personagens, por sua história, e principalmente pela conturbada e nada convencional relação entre os viajantes: três mulheres loucas, um criminoso que aceita participar da missão em troca de 300 dólares e por ter uma “dívida de vida”, e Mary Bee, uma religiosa mulher que comanda a missão justamente por ser a única solitária de sua comunidade.

Também não posso deixar de destacar a excelente escolha das locações do filme. É onde podemos observar um território frio, inóspito e totalmente insalubre, e que são importantes componentes nessa missão suicida.

Entre as atuações destaco Grace Gummer (como uma das mulheres loucas); Hilary Swank, em uma das melhores atuações de sua carreira; e principalmente Tommy Lee Jones, que é o mais interessante personagem do filme. Sua atuação é extremamente vibrante, e seus diálogos são tão sinceros quanto cômicos.


Também não posso deixar de citar o final um tanto quanto subjetivo da obra. Tentando comentar o mínimo para não atrapalhar ao leitor que ainda não o assistiu, posso dizer que apesar de tudo que o personagem de Tommy Lee passou ao lado dessas quatro mulheres, ele continua sendo um cidadão do mundo.

The Homesman possui muitas qualidades (principalmente em relação às atuações do elenco), e melhora muito em seus minutos finais, e onde o filme tem o seu ápice em  uma memorável cena entre Tommy Lee e Hilary Swank. Contudo, o filme continua apresentando os mesmos deslizes da obra anterior do diretor, é muito distante do seu espectador. 

O Homem mais Procurado (2014) **
Direção: Anton Corbijn
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Rachel McAdams, Daniel Bruhl, Grigoriy Dobrygin, Willem Dafoe.


Quando um imigrante de origem chechena chega à comunidade islâmica de Hamburgo (Alemanha), rapidamente os departamentos de investigação passam a acompanhar os seus passos na tentativa de desvendar uma possível ligação com o terrorismo. E cabe ao chefe do núcleo secreto alemão, o questionado Gunther Bachman(Philip Seymour Hoffman), direcionar as investigações, mesmo com uma continua pressão de  outros departamentos de policia e também da embaixada americana.

Como já disse algumas vezes, são poucos os filmes que abordam a espionagem internacional que realmente conseguem me agradar. Na realidade, a minha sensação é sempre de “dèjà-vu’, pois nesses filmes estão sempre presentes os mesmos elementos: personagens reclusos e bem construídos; diálogos inteligentes e por vezes intermináveis; uma trama repleta de reviravoltas; e um desenvolvimento impreterivelmente maçante. E são poucos, pouquíssimos os filmes que ousam traçar um caminho diferente, e infelizmente “O Homem mais procurado” não é um deles.

Baseado na obra do especialista no assunto John Le Carré, que também escreveu e viu chegar às telas os filmes: O espião que veio do frio(1965), O Alfaiate do Panamá(2001), O Jardineiro Fiel(2005) e o seu último sucesso, O Espião que sabia Demais(2011). O Homem mais procurado é fiel a cartilha do gênero e não me surpreendeu em nada. O ponto alto é a última atuação de Philip Seymour Hoffman nos cinemas, que logo após finalizar as filmagens foi encontrado morto em seu quarto de hotel.

Destaco também as interessantes atuações de Willem Dafoe (como um misterioso banqueiro) e Grigoriy Dobrygin (no papel do imigrante Issa), que conseguem reproduzir com eficiência todas as nuances de seus personagens.

Já direção de Anton Corbijn é tão elegante quanto sem vida, assim como já havia realizado no também imemorável “Um Homem Misterioso (2010)”.

Não sendo somente uma obra sobre terrorismo, como também uma crítica feroz as políticas de segurança internacionais e mais diretamente ao intervencionismo americano, O Homem mais Procurado é apenas eficiente em “amarrar” todas as linhas estruturais de seu roteiro. Entretanto, peca em apostar em uma história muito semelhante a outras tantas já adaptadas ao cinema, e sinceramente o resultado não me agradou.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Crítica do Filme: Um Divã Para Dois (2012)***

Direção: David Frankel
Gênero: Comédia/Drama/Romance
Elenco: Meryl Streep, Tommy Lee Jones e Steve Carell.
O grande atrativo do filme “Um Divã para Dois” é sem sombras de dúvida as excepcionais e palpáveis atuações de Tommy Lee Jones e Meryl Streep.  Enquanto muito se falou na introspectiva e marcante atuação de Streep – como sempre sensacional e em um papel totalmente diferente –, assim como a grande possibilidade dela conseguir mais uma indicação ao Oscar de melhor atriz, quem rouba a cena é Tommy Lee Jones, e em um personagem recorrente e sempre característico, um homem já de idade, carrancudo e mal humorado, características que também acompanham o nome do ator na vida real.

O filme aborda a vida de Kay(Meryl Streep), uma dona de casa que após 31 anos de casada com Arnold(Tommy Lee Jones), vê seu relacionamento totalmente devastado pelo tempo. Além da falta de romantismo e intimidades do casal, é observada também uma repetitiva vida cotidiana onde a palavra casal não reflete a vida que os dois personagens levam, sendo apenas duas pessoas comuns convivendo embaixo do mesmo teto. E para tentar revitalizar os sentimentos e sentidos de um casamento que já foi feliz, Kay resolve buscar a ajuda de Dr. Feld, um renomado psicólogo de casais– interpretado por Steve Carell de maneira totalmente centrada –, para reavivar a chama da paixão entre eles.

“Um Divã para Dois” é um filme que se esforça para não ter um gênero especifico, a “grosso modo”, pode até parecer uma comédia romântica, mas se analisarmos o filme mais profundamente iremos encontrar um tocante drama, onde o casal em questão consegue demonstrar com cenas engraçadas e outras profundamente emocionantes, a devastação que o tempo e a vida cotidiana podem trazer em um relacionamento e consequentemente, na vida das pessoas envolvidas. 

Talvez essa premissa seja a grande responsável pelo sucesso do filme com o público que o busca como atração, há uma verdade sobressalente nas telas, assim como uma trilha sonora nostálgica e principalmente, cenas cômicas ou dramáticas que convencem o espectador das ótimas intenções do diretor David Frankel, que já conseguiu sucesso semelhante com o ótimo “O Diabo Veste Prada”.

Contando com personagens apaixonantes e interativos, a forma pela qual o diretor escolheu para se comunicar com o público foram os processos de distanciamento e intimidade do casal ao longo do filme, tudo para demonstrar ao espectador quando os personagens de Kay e Arnold estão em sintonia ou não. Seja na distância que varia de acordo com as sessões de terapia, ou mesmo nas inusitadas e engraçadas cenas de maior intimidade do casal ao seguir exercícios sexuais indicados pelo Dr. Feld.

"Um Divã Para Dois" me fez rir por varias vezes (e também gargalhar), com uma divertida história de amor que combina vários gêneros em um prazeroso e contemplativo roteiro. Pode não render indicações e premiações para Meryl Streep ou Tommy Lee Jones, mas ambos deixam exemplos generosos ao público de suas entregas aos personagens e principalmente, do tamanho da qualidade de suas carreiras e claro, suas atuações.

Possíveis Indicações ao Oscar: Melhor Atriz (Streep) e Melhor Ator (Tommy Lee Jones).
Trailer Aqui